OFICINA A ARTE DA LEITURA - Tinta da China

OFICINA

A ARTE
DA LEITURA

CINCO LIÇÕES COM ALBERTO MANGUEL
Alberto Manguel, um dos mais respeitados bibliófilos em todo o mundo, criou de propósito para o TINTEIRO
o curso «A Arte da Leitura», com cinco lições que honram o papel do leitor na criação literária.
A partir de quatro grandes clássicos, este curso mostra-nos que, se é verdade que sem autores não haveria livros,
sem os leitores não haveria literatura.
A leitura é a principal função na criação da literatura e precede a escrita nas nossas histórias comuns.
Durante as sessões, que terão lugar exclusivamente online e em inglês (as gravações serão legendadas), analisaremos
quatro grandes obras para ver como a leitura através das gerações as transformou:
Homero, A Odisseia (The Odissey)
Dante, A Divina Comédia (The Divine Comedy)
Miguel de Cervantes, Dom Quixote (Don Quixote)
Mary Shelley, Frankenstein

Ao inscrever-se nesta oficina de lugares limitados, terá ainda acesso a uma sebenta de trabalho bilingue.

Reading is the foremost task in the creation of literature. Without writers there would be no text, but without readers there would be no literature,
and there would be no writing. Reading precedes writing in our common histories. Alberto Manguel, one of the most respected bibliophiles in the world,
created the course «The Art of Reading» purposely for TINTEIRO, with five lessons that honour the role of the reader in literary creation.
Based on four great classics, this course shows us that, if it is true that without authors there would be no books, without readers
there would be no literature. (Lessons in english and online, with access to a bilingual workbook.)

INSCRIÇÃO --- 120€

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80€

Escreva para tinteiro@tintadachina.pt para fazer a sua inscrição com o desconto

Se quer usufruir do desconto enquanto assinante do Público, deve enviar um e-mail para academia@publico.pt

CONHEÇA OS LIVROS DE ALBERTO MANGUEL:

ALBERTO MANGUEL (1948, Buenos Aires) cresceu em Telavive e na Argentina. Aos 16 anos, trabalhava na livraria Pygmalion, em Buenos Aires, quando Jorge Luis Borges lhe pediu que lesse para ele em sua casa. Foi leitor de Borges entre 1964 e 1968. Em 1968, mudou‑se para a Europa. Viveu em Espanha, Fran­ça, Itália e Inglaterra, ganhando a vida como leitor e tradutor para várias editoras. Editou cerca de uma dezena de antologias de contos sobre temas tão díspares como o fantástico ou a literatura erótica. É ensaísta, romancista premiado e autor de vários bestsellers internacionais, como Dicionário de Lugares ImagináriosUma História da CuriosidadeA Biblioteca à NoiteEmbalando a Minha BibliotecaCom Borges, Uma História da Leitura Um Diário de Leituras (publicados pela Tinta-da­-china entre 2013 e 2022). Publicou em Portugal, em estreia mundial, o Livro de Receitas dos Lugares Imaginários (2021) e Guia de Um Perplexo em Portugal (2022). Foi director da Biblioteca Na­cional da Argentina entre 2016 e 2018. Recebeu o Prémio Formentor das Letras em 2017. Actualmen­te, vive em Lisboa, onde dirige o Espaço Atlântida.

SESSÃO 1
11 JAN. 2023 | 18h30
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PALESTRA INAUGURAL

Em «Pierre Menard, autor de Dom Quixote» (1939), Jorge Luis Borges sugere que a consequência última do acto de ler é a transformação de um texto noutro sem alterar as palavras que o compõem. O Dom Quixote de Cervantes e o Quixote de Menard são ao mesmo tempo idênticos e fundamentalmente diferentes, como deve ser qualquer leitura que se diga perfeita. A infinita tarefa do leitor – a de vasculhar a biblioteca universal à procura de um texto que o ou a defina – multiplica-se quando esse leitor assume a qualidade de criador. Cada texto resgatado da página torna-se, então, uma multiplicidade de outros, traduzidos para o vocabulário daquele leitor, redefinido por outros contextos, outras experiências, outras memórias e associações, disposto noutras estantes. Confrontado com o texto inalterável na página, o leitor-criador propõe um texto nómada que nunca pode ser fixado. Este é o paradoxo comovente da arte da leitura: através dessas constantes migrações e mudanças, dessas explorações incessantes, um trabalho literário pode tornar-se algo de menos experimental, menos aleatório do que a sua natureza como obra de arte lhe impõe. E pode adquirir, como que por milagre, uma espécie de imortalidade intrínseca.

In «Pierre Menard, author of Don Quixote» (1939) Jorge Luis Borges suggested that the uttermost consequence of the act of reading is the transformation of one text into a different one without changing the words that compose it. Cervantes’ Don Quixote and Menard’s Quixote are identical and fundamentally different at the same time, as any reading that calls itself perfect must be. The infinite task of the reader – that of scouring the universal library in search of a text that defines him or her – is multiplied when that reader admits the quality of creator. Then, every text rescued from the page becomes a multitude of others, translated into that reader's vocabulary, redefined by other contexts, other experiences, other memories and associations, arranged on other bookshelves. Faced with the fixed text on the page, the reader-creator proposes a nomadic text that can never be anchored. This the moving paradox of the art of reading: that through these constant migrations and changes, these incessant explorations, a literary work can become something less tentative, less random than its nature as a work of art imposes on it. And can acquire, as if by miracle, a kind of immanent immortality.

SESSÃO 2
18 JAN. 2023 | 18h30
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A ODISSEIA

Não sabemos como os contemporâneos de Homero ouviram os poemas, mas, recentemente, alguns académicos sugeriram que não só eram recitados, como integravam um ritual cénico que envolvia dança e música. Mais tarde, a Odisseia, em particular, tornou-se um modelo para o épico marítimo romano, para a alegoria cristã, para histórias de aventura e de exílio. Hoje, a Odisseia é lida como um poema sobre um refugiado, e outras personagens – Ciclope como o «Outro», Penélope como uma heroína feminista – transformaram o texto de Homero em muitos outros.

We don’t know how Homer’s contemporaries heard the poems, but recent scholars suggest that not only were they recited but formed part of a scenic ritual that involved dance and song. In later years, the Odyssey in particular became a model for the Roman sea epic, for Christian allegory, for adventure stories and stories of exile. Today the Odyssey is read as a poem about a refugee, and other characters –the Cyclops as the «Other», Penelope as a feminist heroine—have transformed Homer’s text into many others.

SESSÃO 3
25 JAN. 2023 | 18h30
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A DIVINA COMÉDIA

O poema de Dante tornou-se popular na sociedade italiana desde o primeiro momento. A Commedia é tão vasta, tão profunda, que surgem constantemente novas leituras. Pode ser lida como um poema teológico, ou político, como uma viagem de individualização psicanalítica ou como uma história de amor. Foi apropriada pela cultura pop e pela sociedade de consumo: o rato Mickey como Dante, a Commedia como material de suspense, heróis de videojogos que seguem o itinerário do Inferno. Há toda uma biblioteca de Commedias, cada uma preservando o texto original e, ao mesmo tempo, transformando-o em algo diferente.

Dante’s poem was popular throughout Italian society from the very beginning. The Commedia is so vast, so deep, that there are constantly new readings. It can be read as a theological poem, as a political one, as a voyage of psychoanalytic individuation, as a love story. It has been appropriated by pop culture and the consumer society: Mickey Mouse as Dante, the Commedia as a thriller material, video games heroes that trace the itinerary of Hell. There is an entire library of Commedias each preserving the original text and each transforming it into something different.

SESSÃO 4
1 FEV. 2023 | 18h30
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DOM QUIXOTE

Os primeiros leitores de Dom Quixote liam-no focados nas aventuras mirabolantes, e como uma paródia dos romances de cavalaria do século anterior. Mais tarde, Quixote foi transformado de acordo com leituras políticas e românticas, re-interpretado por nomes como Dostoiévski, António José da Silva («O Judeu»), Unamuno, Graham Greene ou Salman Rushdie.

The first readers of Don Quixote read it with an eye on the mock adventures, and as a parody of the novels of chivalry of the previous century. The Quixote was then transformed through political reading and romantic readings, re-interpreted by the likes of Dostoievski, António José da Silva («O Judeu»), Unamuno, Graham Greene, Salman Rushdie.

SESSÃO 5
8 FEV. 2023 | 18h30
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FRANKENSTEIN

Mary Shelley idealizou o seu Monstro como uma versão da criação de Adão por Deus, inspirada por Milton. Os românticos transformaram Frankenstein numa fábula emblemática sobre o Homem contra a Natureza. Hollywood recuperou a história e apropriou-se dela para a transformar numa das poucas lendas essenciais da sétima arte. Hoje, podemos ler Frankenstein como um alerta contra os excessos da ciência, suscitando um debate sobre a ética científica e o poder de criar vida.

Mary Shelley conceived her Monster as a version of Adam’s creation by God, inspired by Milton. The Romantics transformed Frankenstein into an emblematic fable about Man versus Nature. Hollywood recuperated the story and appropriated it to transform it into one of the handful of essential myths of the silver screen. Today we can read Frankenstein as a warning against the excesses of science, opening a debate about scientific ethics and the power to create life.

Esta oficina é composta por cinco sessões online, com a seguinte estrutura:

  • 5 sessões de 2h cada (45 minutos a 1h de palestra e o restante tempo para perguntas e intervenções);
  • As aulas vão ser leccionadas em inglês e o período de debate será bilingue;
  • 1 sessão por semana;
  • Dia da semana – quartas-feiras, às 18.30h;
  • Sessões online, na plataforma ZOOM Público (o link será enviado atempadamente);
  • A frequência das cinco sessões conferirá um Certificado de participação;
  • Acesso às aulas gravadas (com legendas em português) e materiais de apoio;
  • Data de arranque – 11 de Janeiro de 2023;
  • A oferta de um livro de Alberto Manguel foi válida apenas para inscrições concluídas até 31 de Dezembro de 2022 – já não se encontra em vigor;
  • Oferta de sebenta criada para a oficina (em português ou inglês);