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1498: MAIS DO QUE A VIAGEM À ÍNDIA

Se há anos de viragem na história da humanidade, 1498 merece estar certamente entre eles. Ano em que uma armada comandada por Vasco da Gama, que tinha partido de Lisboa, completou pela primeira vez uma viagem marítima para a Índia, alterando decisivamente as rotas do comércio global e o rumo das relações entre o Ocidente e o Oriente, 1498 tornou-se canónico da história global. Mas como foi visto 1498 pelas gentes de 1498? Como se chegou a 1498? Que importância teve a chegada à Índia — não para os séculos vindouros — mas para as pessoas da segunda metade do século XV? O que nos diz a arte do reinado de Dom Manuel — chamemos-lhe ou não «manuelina» — sobre a importância relativa da Ásia e da Europa nas preocupações da coroa portuguesa nesse ano e nos seguintes? Essas são as perguntas que motivam este ensaio historiográfico.

Ângela Barreto Xavier

Ângela Barreto Xavier (Goa, 1968) é doutorada em História e Civi­lização pelo European University Institute, de Florença. Investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, tem desenvolvido trabalho em torno da história cultural e política do império português na Idade Moderna, com destaque para as articulações entre saber e poder e para as modalidades do governo da diferença. Os livros e artigos que tem publicado privilegiam a dimensão asiática dessas temáticas.

Nuno Senos

Nuno Senos (Lisboa, 1972) é doutorado em História da Arte pelo Institute of Fine Arts, da New York University. É professor do Departamento de His­tória da Arte da Universidade Nova de Lisboa e investigador integrado do Instituto de História da Arte da mesma universidade. Os seus interesses de investigação estendem‑se da arquitectura quinhentista portuguesa, com especial atenção às estruturas residenciais, até à arquitectura do Brasil colonial e ao consumo artístico em Portugal na Idade Moderna.