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1640: A RESTAURAÇÃO, DA HISTÓRIA LOCAL À HISTÓRIA GLOBAL

O que é exactamente a Restauração? Uma restauração da independência, quando Portugal nunca deixou de ser um reino distinto dos demais reinos peninsulares? Ou apenas uma restauração dinástica em torno da Casa de Bragança, e portanto de uma família real portuguesa? Para quem chega do futuro, como nós fazemos aqui, o Portugal que encontramos em 1640 é um país muito diferente, mas que se encontra num momento de viragem decisivo para o que viria a acontecer nos séculos seguintes. Estão na Restauração as raízes da cada vez maior importância do Brasil no império português, o posicionamento autónomo do reino na Guerra da Sucessão Espanhola, e até as escolhas de política económica e diplomática «pombalina». Sem 1640, o Portugal de hoje seria com toda a probabilidade radicalmente distinto. Foi essa evidência que levou a uma espécie de «nacionalização da Restauração».

Joana Fraga

Joana Fraga (Coimbra, 1985) obteve o seu doutoramento na Universitat de Barcelona, com uma tese intitulada «Three revolts in images: Catalonia, Por­tugal and Naples, 1640‑1647». Foi investigadora na École des Hautes Études en Sciences Sociales e na Università degli Studi di Torino. No Instituto de Ciên­cias Sociais da Universidade de Lisboa, tem‑se dedicado à investigação sobre a comunicação entre os reis portugueses e os vice‑reis e governadores‑gerais no Estado da Índia e no Estado do Brasil. Entre as suas publicações, destacam‑se «Trois révoltes en images: Catalogne, Portugal et Naples (1640‑1647)», em Sublevaciones, rebeliones y revoluciones en la Monarquía Hispánica (2016) e «El Estado de Brasil en el Imperio portugués: Dinámicas culturales y consolida­ción del poder real en el siglo XVII», em Uniendo las cuatro partes del mundo: la cultura en los imperios ibéricos (siglos XVI‑XVIII) (2018).

Thiago Krause

Thiago Krause (Rio de Janeiro, 1986) obteve o seu doutoramento na Universidade Federal do Rio de Janeiro com a tese «A formação de uma no­breza ultramarina: coroa e elites locais na Bahia seiscentista». Foi profes­sor de História da Europa Moderna e das Américas Coloniais e é professor de História do Brasil Colonial na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Colabora com Christopher Ebert numa obra sobre a história global de Salvador de Todos os Santos, a primeira capital do Brasil. Entre as suas publicações, destacam‑se Em busca da honra: a remuneração dos serviços da guerra holandesa e os hábitos das ordens militares (2012) e, em co‑autoria com João Fragoso & Roberto Guedes, A América portuguesa e os sistemas atlânticos na época moderna (2013).