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1851: O LIBERALISMO E A REGENERAÇÃO

Num Portugal que vivia em convulsão crónica desde o início do século, a noite de 24 para 25 de Abril de 1851 assistiu ao golpe, liderado pelo marechal Saldanha, que pôs em causa o governo de Costa Cabral, favorecido pela rainha Dona Maria II, e que iniciou a chamada Regeneração. Começou assim uma nova fase do liberalismo português — a Regeneração — onde depressa veio a pontificar um enérgico político reformador: Fontes Pereira de Melo. Tudo aconteceu na sequência da «Primavera dos Povos», essa primeira revolução global de origem europeia, que varreu o continente no ano de 1848. Esta foi, então, uma era de revoluções — mas de revoluções que, no nosso país, rapidamente entram na rotina. Na rotina parlamentar e política, na rotina de um Estado de recursos parcos que não consegue pagar a todos os seus funcionários públicos, na rotina de uma política exangue. Numa Europa em convulsão e expansão permanentes, com potências industriais e imperiais que se preparam para tomar o mundo no espaço de uma geração, Portugal parece fazer bem fraca figura. Este volume relata de modo entusiasmante os acontecimentos frenéticos da história política de 1851, ao mesmo tempo que dá atenção à história quotidiana e social do país em meados do século XIX.

Joana Estorninho de Almeida

Joana Estorninho de Almeida (Lisboa, 1974) doutorou‑se em Socio­logia Histórica pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lis­boa, com a dissertação A cultura burocrática ministerial: repartições, em­pregados e quotidiano das secretarias de Estado na primeira metade do século XIX. Tem‑se dedicado ao estudo da administração pública portuguesa e europeia na transição da idade moderna para a época contemporânea, particularmente a relação entre práticas burocráticas e representações sobre o Estado. É directora académica do CIEE Lisbon.

Nuno Camarinhas

Nuno Camarinhas (Luanda, 1972) é investigador do CEDIS (Faculdade de Direito, Universidade Nova de Lisboa). Em 2007 doutorou‑se na Éco­le des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris), com uma tese sobre os juízes portugueses no Antigo Regime. Tem publicado diversos artigos so­bre magistratura e administração da justiça nas épocas moderna e con­temporânea. É autor de Juízes e administração da justiça no Antigo Regime (2010) e da edição crítica do Memorial de ministros, de Frei Luís de S. Bento e Frei António Soares.