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1936: O ESTADO NOVO, A GUERRA CIVIL DE ESPANHA E PORTUGAL NA EUROPA DE ENTRE-GUERRAS

Após a subida ao poder de Salazar, em 1932, e o nascimento oficial do Estado Novo com a Constituição de 1933, o ano de 1936 fica marcado pela tomada de medidas importantes por parte do regime: o reforço da polícia política e da censura, a criação da Mocidade Portuguesa e da Legião Portuguesa, e ainda o estreitamento dos laços com o fascismo italiano e o nazismo alemão, contra uma ameaça bolchevista insuflada pela propaganda. O regime não sabe então que durará mais 38 anos. Num filme por si instigado para as comemorações do décimo aniversário da Revolução de 28 de Maio de 1926, intitulado precisamente A Revolução de Maio, o regime chega a fantasiar ansiosamente com a possibilidade de uma revolução subversiva em Portugal. Ao mesmo tempo, olha com esperança para a revolução subversiva de cariz autoritário e ultraconservador do outro lado da fronteira. A Guerra Civil de Espanha seria decisiva para o Estado Novo português. Mas, em 1936, ela estava só a começar e o seu desfecho era ainda imprevisível.

Luís Nuno Rodrigues

Luís Nuno Rodrigues nasceu nas Caldas da Rainha em 1968. É doutorado em História Americana pela Universidade do Wisconsin. É professor cate­drático no Departamento de História do ISCTE‑IUL e director do Centro de Estudos Internacionais (CEI‑IUL) da mesma instituição. No ISCTE ‑IUL, coordena o mestrado em Estudos Internacionais e, desde 2013, é director da revista científica Portuguese Journal of Social Science. Foi bolseiro de doutoramento Fulbright e visiting professor na Brown University. As suas áreas de especialização são a história das relações internacionais, a histó­ria da Guerra Fria, a história de Portugal do século XX e a história dos Es­tados Unidos da América. É autor de vários livros e artigos, entre os quais Kennedy‑Salazar: a crise de uma aliança. As relações luso‑americanas entre 1961 e 1963 e Perceptions of NATO and the New Strategic Concept.