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1998: O ANO DA EXPO

O Portugal que se autocelebrou em 1998 não imaginava o que seria o novo milénio, não poderia conceber algo como os ataques terroristas às Torres Gémeas, a «Guerra das Civilizações», a ocorrência da maior crise financeira depois da grande depressão, em 2008, ou a ascensão dos nacional-populismos. O Portugal que se autocelebrou em 1998 vivia antes da entrada da China na Organização Mundial do Comércio, do alargamento da União Europeia aos países de Leste ou da introdução do Euro. Assim sendo, o Portugal que se autocelebrou em 1998 vivia uma globalização feliz. Vivia de bem consigo mesmo, democrático e europeu, e dava-se de presente a renovação de uma parte esquecida da sua capital (a zona industrial transformada em Expo ’98) e a ponte mais longa da Europa (a Ponte Vasco da Gama). Neste volume, interpretamos o ano-charneira com que Portugal julgou ter fechado o segundo milénio com chave de ouro.

José Neves

José Neves nasceu em Lisboa em 1978. É professor auxiliar no Departamento de História da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e investigador do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa.
Dirige actualmente a revista Práticas da História – Journal on Theory, Historiography and Uses of the Past. É autor de Comunismo e Nacionalismo em Portugal – Política, Cultura e História no Século XX (Tinta-da-china, 2008), obra que recebeu o Prémio Victor de Sá 2008, o Prémio CES 2009 e o Prémio Adérito Sedas Nunes 2010.
Ainda na Tinta-da-china, coordenou Como se Faz Um Povo – Ensaios em História Contemporânea de PortugalA Política dos Muitos – Povo, Classes e Multidão (Bruno Peixe Dias); Quem Faz a História – Ensaios sobre o Portugal Contemporâneo. Publicou também Da Gaveta para Fora – Ensaios sobre Marxistas (Afrontamento, 2006) e, com Nuno Domingos, A Época do Futebol – O Jogo Visto pelas Ciências Sociais (Assírio & Alvim, 2004).