AFIRMAÇÃO NEGRA E A QUESTÃO COLONIAL - Tinta da China
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MÁRIO DOMINGUES, O ESQUECIDO PRECURSOR DA AFIRMAÇÃO NEGRA EM PORTUGAL

Foi em 1919, há mais de um século, que Mário Domingues publicou num jornal o seu primeiro texto em defesa dos negros, intitulado «Colonização». Jornalista, cronista, escritor, nascido em S. Tomé e Príncipe, atento ao activismo do movimento negro por todo o mundo, foi construindo a partir daí, e até 1928, uma precursora obra de «rebeldia negra» na imprensa em Portugal.

Este livro recupera a maioria dos textos de Mário Domingues desse período, injustamente esquecidos, onde este escreve, muito à frente do seu tempo, sobre a condição dos negros, o racismo e a colonização, denunciando de forma arrojada preconceitos e discriminações, e expondo corajosamente a violência do colonialismo e de todas as formas de subjugação.

José Luís Garcia, que reuniu estas crónicas, apresenta ainda um ensaio introdutório sobre a obra, a vida e o contexto de Mário Domingues, «um dos maiores símbolos da passagem do negro de uma condição de subalternidade na sociedade portuguesa para autor da sua vida», e um verdadeiro «precursor da afirmação negra».

Mário Domingues

Mário Domingues (ilha do Príncipe, 1899 – Lisboa, 1977) foi jornalista, cronista, tradutor e escritor. A sua mãe era negra, natural de Angola, tendo sido levada para a ilha do Príncipe com 15 anos, para trabalhar na roça Infante D. Henrique. O pai era português branco, funcionário dessa roça, e trouxe-o para Lisboa com 18 meses, onde foi criado pelos avós paternos num ambiente de classe média. Realizou o curso de Comércio no antigo Colégio Francês, em Lisboa. Iniciou a vida profissional nos finais da década de 1910 como ajudante de guarda-livros e correspondente de francês e inglês e, aos 19 anos, começou a publicar contos no diário anarquista A Batalha. Em Novembro de 1919, tornou-se jornalista profissional daquele diário, sinalizando o início de uma actividade muito intensa, marcante e brilhante no jornalismo, sendo responsável por três títulos da imprensa negra nas décadas de 1920 e 1930 e mantendo colaborações em muitas outras publicações, entre elas o Repórter X e Detective. Escritor prolífico, publicou novelas, romances, peças de teatro, policiais, ficções de cowboys, aventuras e evocações históricas, entre os quais Hugo, o Pintor (1923), A Audácia de Um Tímido (1923), Entre Vinhedos e Pomares (1926), Anastácio José (1928), O Preto do Charleston (1930), O Crime de Sintra (1937), Uma Luz na Escuridão (1938), O Cavaleiro, o Monge e o Outro (1947) e O Menino entre Gigantes (1960). Expoente da pseudonímia, assinou muitas obras com nomes ingleses e franceses, ou inventando tradutores fictícios. Traduziu romancistas como Henry Fielding, Walter Scott, Charles Dickens, George Eliot e Stefan Zweig. Foi casado duas vezes e teve quatro filhos.