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Partiram mal preparados para os combates, aprenderam a usar metralhadoras, percorreram cenários destruídos por bombas e arrastaram‑se pela lama das «trinchas» ao lado dos outros soldados. Mas, no meio da desolação e da dureza da participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial, os militares‑artistas aqui representados conseguiram oferecer alguma redenção através de fotografias, croquis, caricaturas, ilustrações e pinturas.

Numa panorâmica que este livro procura fixar pela primeira vez, a arte destas testemunhas estéticas da guerra representa um ponto de fuga para os sentidos, uma afirmação criativa em tempos terríveis e incertos. Estas obras registam para a posteridade, com a alma de quem lá esteve, as vivências de milhares de homens assustados, sozinhos, sacrificados. É aos autores e aos seus retratados que aqui prestamos homenagem.

«Revisitar a guerra apenas pelos factos políticos e militares é uma perspectiva querida da história oficial, mas vazia dos conteúdos mais humanos e emocionais que verdadeiramente moldam a sociedade — aquela que o poder pretende afogar e manipular. Este livro procurará, assim, uma abordagem mais sensitiva do que pragmática, mais emocional do que histórica.»

Osvaldo Macedo de Sousa

Osvaldo Macedo de Sousa nasceu no Porto, em 1954. Formou-se em História, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e concluiu o Curso Superior de Canto do Conservatório Nacional de Lisboa. É coralista no Teatro Nacional de São Carlos.
O seu trabalho historiográfico iniciou-se em 1980, com a realização do Inventário da Caricatura Portuguesa (Fundação Calouste Gulbenkian). Desde então, dedicou-se tanto à produção cultural como historiográfica no domínio do humor gráfico, tendo organizado mais de três centenas de espectáculos, conferências, festas da caricatura, exposições, concursos nacionais e internacionais.
Na imprensa, tem publicado críticas de arte, crónicas e entrevistas no Diário de NotíciasO DiaJornal de Letras, entre muitos outros. Coordena o Suplemento Humorístico Bronkit de O Trevim.
Foi comissário nacional das Comemorações dos 150 Anos da Caricatura em Portugal (1997). Comissariou também uma série de outras exposições, nomeadamente o Centenário de Stuart Carvalhais, em Vila Real (1987), o Centenário de Cristiano Cruz, em Leiria (1992); o Bicentenário do Teatro de São Carlos (Humor e Música) (1992), os 20 Anos de Democracia Satírica, para a Presidência da República (1995), o AmadoraCartoon, no Festival Internacional de BD da Amadora (desde 1999), o Festival Internacional de Caricatura de St. Esteve (França). Para além de ter produzido centenas de eventos na área do humor gráfico, fundou e dirigiu o Salão Nacional Humor de Imprensa (1987-2006) e o Salão Livre de Humor Nacional (1998 – 2003). Foi director artístico do primeiro PortoCartoon (1998).
Tem colaborado com diversos museus: Museu Rafael Bordalo Pinheiro, Museu da República e Resistência, Casa-Museu Leal da Câmara, Museu Nacional da Imprensa no Porto, Museu da Água, Museu Amadeo de Souza-Cardoso, Fundação Calouste Gulbenkian, Museu Nacional do Teatro, para mencionar apenas alguns.
É autor de inúmeros títulos publicados: História da Arte da Caricatura de Imprensa em Portugal150 Anos da Caricatura em PortugalCrónicas d´Um StuartDos Humoristas PortuguesesO Modernismo pel´O HumorismoLuiz Filipe, Um Pioneiro do Modernismo (em parceria com João d´Alpuim Botelho), Manuel Monterroso – Um Estetoscópio de HumorAmarelhe – O Desretrato da MáscaraFrancisco Zambujal – O Mestre da Caricatura DesportivaRoberto Santos – Fantasia HumorísticaMartinez – Humor em RetrospectivaJosé Rodrigues Brusco Júnior – Um Humor MilitarBaltazar – A Vida num TraçoA Mulher no CartoonCaricaturas CrónicasNas Garras Felinas da SátiraO Cartoon e o Início do Século XXILuís de Oliveira Guimarães – Espírito de uma Época.
Em 1998 foi galardoado com o Balanito Especial, do MouraBD, e em 1999 recebeu o Prémio Especial Anim’Arte do GICAV.
Utiliza o pseudónimo Humorgrafe e mantém o blogue http://humorgrafe.blogspot.com.