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«Opiário» não é apenas o poema que inaugura a voz de Álvaro de Campos – também lhe atribui a missão de ir ao Oriente para com ele se desiludir e o transformar numa realidade interior, um «Oriente ao oriente do Oriente». Pela mesma altura, o Atlantismo, um dos muitos projectos modernistas de Fernando Pessoa, fala da necessidade de chegar, colectivamente, às «Indias Espirituaes».

Este livro é uma análise inédita do contributo pessoano para a fixação e transformação das formas de falar do Oriente na cultura e na literatura nacionais, revelando assim o pouco estudado orientalismo português como ingrediente essencial do próprio orientalismo europeu.

Duarte Drumond Braga

Duarte Drumond Braga (Lisboa, 1981) é investigador do Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa. Estudou nessa universidade, onde se doutorou em Estudos Comparatistas (2014). De 2014 a 2018, fez pós-doutoramento na Universidade de São Paulo, onde leccionou na pós-graduação. Tem publicado sobre literatura portuguesa dos séculos XIX e XX, orientalismo português e autores de Goa e de Macau, focando sobretudo o período do romantismo ao modernismo.
Coordenou, com Hélder Garmes, o projecto «Relocalizar o modernismo em língua portuguesa», apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian (2016). Organizou, com Fabrizio Boscaglia, o n.º 9 da revista Pessoa Plural (2016) e, com Catarina Nunes de Almeida, Nau-Sombra. Os Orientes da Poesia Portuguesa do Século XX (2013), entre outros volumes. Prepara neste momento a edição para o Brasil de Húmus (1.ª versão), de Raul Brandão, e da obra reunida do poeta goês Paulino Dias. Em 2015, publicou o livro de versos Voltas do Purgatório (Língua Morta).