10%

LIVRO VENCEDOR DO PRÉMIO OCEANOS 2018

Mecanismos interrogativos, manifestações de espanto sofisticado, os poemas de Marília Garcia estão atentíssimos aos fenómenos e às teorias. Contam coisas, descrevem coisas, desmontam coisas (máquinas, viagens, conversas, enganos geográficos, festivais de poesia), como se toda a narração fosse uma desconstrução. E usam truques, loops, mudanças de velocidade, deslocamentos linguísticos, materiais diversos. Da «poesia da experiência» e da «poesia da linguagem» fazem uma poesia da experiência linguística. O que significam as frases? Qual a diferença entre mapa e território? O que é a resistência da poesia? O que se perde quando se traduz? Tributária da poesia francesa de vanguarda, auto-reflexiva e lúdica, e do objectivismo americano, coloquial e inteligível, Marília surpreende-se, questiona-se, volta atrás, faz «pausa», começa de novo. É o poema como making of do poema. Ou como making of do making of. Cultíssima e ligeira, concreta nas questões abstractas, dubitativa mas não niilista, idiossincrática e dialogante, sem amargura nem malícia, Marília combina a segurança dos processos e a incerteza das conclusões. Ainda se assombra, ainda se pergunta. E diz-nos como isso se faz.
— Pedro Mexia

Marília Garcia

Marília Garcia nasceu em 1979, no Rio de Janeiro. Publicou no Brasil os livros 20 poemas para o seu walkman (Cosac Naify, 2007), Engano geográfico (7Letras, 2012), Um teste de resistores (7Letras, 2014; edição portuguesa Mariposa Azual, 2015), Paris não tem centro (7Letras, 2016), Câmera lenta (Companhia das Letras, 2017; vencedor do Prémio Oceanos) e Parque das ruínas (Luna Parque, 2018). Em Portugal, organizou com Valeska de Aguirre a antologia A poesia andando: treze poetas no Brasil (Cotovia, 2008).