CENSOR ILUMINADO - Tinta da China
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PRÉMIO LUSITANIA HISTÓRIA 2019
(ACADEMIA PORTUGUESA DA HISTÓRIA)

«A última palavra é um lugar de poder. Ela é a palavra que encerra. Ela inspira temor pelo seu caráter definitivo: depois dela não há correções, alterações ou precisões. Se a primeira palavra é a Lei, este livro vai ocupar-se de um tipo específico e muito definitivo de última palavra: a censura.»

Há 250 anos, o Marquês de Pombal deu início à revolução cultural que decidira para o reino, fundando uma especialíssima instituição de censura: a Real Mesa Censória. Por decreto de Dom José I, foram nomeados intelectuais e letrados incumbidos de ler, interpretar e censurar todos os livros que entrassem ou fossem publicados no reino, as peças de teatro, as dissertações académicas, e até os cartazes impressos e os cardápios dos restaurantes. Eram estes os censores a quem, depois de 1768, cabia decidir que palavras, ideias e livros mereciam «a dignidade da luz pública».
Rui Tavares mergulhou nos relatórios de censura à guarda da Torre do Tombo, cruzou-os com os textos que lhes deram origem e seguiu as trajectórias de vida e os interesses intelectuais dos censores, contextualizando-os na República das Letras do seu tempo. Ao comparar o ambiente cultural setecentista com o que o precedeu e o que se lhe seguiu, até aos nossos dias, o historiador propõe uma nova interpretação do difícil nascimento do pluralismo que está na base das sociedades modernas.

Rui Tavares

Rui Tavares (Lisboa, 1972) é escritor e historiador, com estudos em História da Arte pela Universidade Nova de Lisboa, em Ciências Sociais pela Universidade de Lisboa e em História e Civilizações pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, onde defendeu a sua tese de doutoramento sobre a censura portuguesa no século XVIII, «Le Censeur Éclairé», que constitui a base de O Censor Iluminado. Investigador associado do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, é actualmente policy leader fellow no Instituto Universitário Europeu de Florença. É cronista no jornal Público e comentador da RTP. Foi eurodeputado (2009-2104) e é um dos fundadores do partido LIVRE.
Com a Tinta-da-china publicou O Pequeno Livro do Grande Terramoto (prémio RTP/Público Melhor Ensaio 2005), traduzido em russo e que será em breve publicado em Itália; Pobre e Mal Agradecido (crónicas, 2006); O Arquitecto (teatro, 2007), também publicado no Brasil; O Regicídio (ensaio, 2008; com Maria Alice Samara), O Fiasco do Milénio (crónicas, 2009); A Ironia do Projeto Europeu (ensaio, 2012); Esquerda e Direita: Guia histórico para o século XXI (ensaio; 2015); O Censor Iluminado (ensaio; 2018). É coordenador da colecção Portugal, uma Retrospectiva, publicada na Tinta-da-china durante o ano de 2019.
As suas traduções de Cândido, ou o Optimismo, de Voltaire, e de Tratado da Magia, de Giordano Bruno, estão também publicadas na Tinta-da-china.