CONTRACAPAS - Tinta da China
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Um conjunto de textos de Antero de Quental, originalmente publicados sob anonimato na Revista Ocidental, versando sobre as grandes polémicas literárias, sociais e políticas do século XIX português.

Atribuição, organização e prefácio de Ana Maria Almeida Martins.

«É assim que o activo touriste atravessou grande parte da Europa, em menos de 50 dias: 46 foram eles ao certo, porque o Sr. Cordeiro partiu de Lisboa no dia 3 de Junho, às 8 da noite, e voltou no dia 20 de Julho, às 3 da tarde: ele próprio nos quis dar, no seu livro, estas informações precisas. Nestes 46 dias viu Madrid, Paris, Roma, Veneza, Viena de Áustria e boa parte da Alemanha. Chama-se a isto andar depressa, e a viagem faz honra ao sistema de viação acelerada! […]
O estilo parece-nos melhor do que o dos outros livros do Sr. Cordeiro. E ousaremos confessá-lo? Tendo o Sr. Cordeiro escrito tanto, sobre tantos assuntos, altos, profundos e até graves, este livro, ligeiro como é, vagabundo e escrito a correr, parece-nos o seu melhor livro! Desculpe-nos o publicista, o homem de ciência, o crítico, o economista, o filósofo: damos a palma ao viajante. Entreteve-nos, divertiu-nos o seu livro de Viagens. É que ninguém está bem senão no seu elemento – e, decididamente, a divagação é o elemento natural do Sr. Luciano Cordeiro, e as narrativas de viagens o seu verdadeiro género literário.»
— Antero de Quental, sobre Viagens: Espanha e França, de Luciano Cordeiro

Antero de Quental

Antero de Quental (1842-1891), açoriano natural de Ponta Delgada, é uma das figuras marcantes de toda a cultura portuguesa e o símbolo máximo da nossa ainda hoje mais brilhante geração intelectual – a Geração de 70. Prosador brilhante, poeta genial, é ainda referência obrigatória no ensaísmo filosófico e literário, na política militante, no jornalismo ou na literatura panfletista.
«Na prosa musical de Antero, polémica e crítica, de uma grande limpidez formal», nas palavras de Eduardo Lourenço, viu Manuel Bandeira o início da moderna prosa lusa. Todavia, muito do que escreveu está esquecido ou praticamente ignorado, com excepção de sonetos ou Causas da Decadência dos Povos Peninsulares. O que tem predominado é o interesse doentio pela sua morte e também pela vida, que a devoção dos amigos transformou em fantasiosa biografia. Mas o verdadeiro Antero está na obra em prosa e verso que nos deixou.