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«‘Ser uma desconhecida deixa‑me eufórica.’ Quem já viajou sozinho sabe como essa experiência torna o viajante uma pessoa diferente. As viagens de Jenny Diski (1947‑2016) revelam-nos mais a respeito da autora do que acerca da América. No ecrã panorâmico do comboio em que percorre os Estados Unidos, ela projecta-se a si própria. O livro é um duplo pretexto: para a viagem e para o devaneio. Enclausurada no comboio, vendo desfilar a imensidão americana em cinemascope, Diski descobre que ‘a vida no comboio também é a vida no colégio interno, no convento, na prisão e no hospital psiquiátrico’.
Entre devaneios e cigarros, este livro deve muito ao facto de Diski ser fumadora: junto da pequena comunidade dos consumidores de nicotina, a escritora exercita as capacidades de observação e de sociabilidade que descobriu em si, ao atravessar o Atlântico num cargueiro. Perante nós, leitores, passageiros desconhecidos, a loquacidade de Jenny Diski solta‑se, num confessionalismo que nada tem de narcisista, com a intimidade da distância e a proximidade da literatura.»
— Carlos Vaz Marques

Jenny Diski

Jenny Diski nasceu em Londres, em 1947, cidade onde viveu e trabalhou na maior parte da sua vida. Escreveu dez romances (o último dos quais Apology for the Woman Writing), um livro de contos, três ensaios (incluindo A View From the Bed and Other Observations) e cinco livros de viagens/memórias, como Skating to Antarctida e Desconhecida num Comboio. Este último, publicado pela Tinta-da-china em Portugal, valeu‑lhe o Thomas Cook Travel Book Award e o J.R. Ackerley Award for Autobiography.
Escreveu extensivamente para a London Review of Books. Nos últimos anos de vida, dedicou‑se a escrever um diário da sua doença e da vida que partilhou com a escritora Doris Lessing, que a acolheu em sua casa. Este diário veio a ser publicado em livro: In Gratitude. Jenny Diski morreu em Cambridge, em 2016.