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«Um excelente livro escrito na melhor tradição do jornalismo literário… profundo, rico e reflexivo.»
— Ryszard Kapuscinski

«Disse-me Um Adivinho foi o livro com que Tiziano Terzani se reinventou. Depois de décadas a cobrir inúmeras guerras, tragédias e desgraças a Oriente, o escritor tomou o lugar do repórter. Terzani, voluntariamente impedido de viajar de avião durante um ano, restitui-nos um mundo infinitamente mais complexo do que o de uma modernidade em que nos deslocamos a grande velocidade, pensamos com enorme rapidez e morremos velozmente. Durante um ano percorreu o Extremo Oriente por terra, lentamente, em busca de um tempo perdido, numa viagem de sentido duplo: aquele que correspondia ao trajecto geográfico, ligando os pontos de um mapa, e o que o fez levar a cabo um percurso íntimo e de autodescoberta. Numa viagem assim, quem chega nunca é quem partiu.»
— Carlos Vaz Marques

Tiziano Terzani

Tiziano Terzani nasceu em Florença, em 1938, numa família pobre. Começou a trabalhar como operário na Olivetti, tendo sido mais tarde representante da marca em vários países, o que o trouxe a Portugal.
Em 1971, iniciou o seu trabalho, que se prolongaria por 30 anos, como jornalista correspondente na Ásia para o semanário alemão Der Spiegel, tendo colaborado também nos jornais italianos RepubblicaL’Espresso e Corriere della Sera. Viveu em Singapura, Hong Kong, Pequim, Tóquio, Banguecoque e Nova Deli, tornando-se num dos jornalistas italianos de maior prestígio internacional.
Pelle di Leopardo, o seu primeiro livro, é o diário do período que passou como enviado na Guerra do Vietname. Em 1975, era um dos poucos jornalistas ocidentais que ainda se mantinham em Saigão, tendo assistido à tomada de poder pelos comunistas. Desta última experiência nasce Giai Phong! La Liberazione di Saigon (1976). A sua longa estadia na China terminaria em 1984, com um processo de prisão e de expulsão por envolvimento em actividades «contra-revolucionárias», e teve como resultado bibliográfico o livro La Porta Proibita (1985). Buonanotte, Signor Lenin (1992) é um testemunho ímpar sobre o colapso do império soviético visto da periferia. Em 1998, já depois de Disse-me Um Adivinho (1995), é publicado In Asia, no qual Terzani se debruça sobre este imenso continente. O drama do 11 de Setembro está na origem de Lettere contro la Guerra (2002), primeiro passo de uma peregrinação em que o autor defendeu a não-violência como única via possível para travar o ódio, a discriminação e o sofrimento que ameaçam a humanidade.
Tiziano Terzani morreu em Julho de 2004. O município de Florença honrou a memória do jornalista com um funeral público no Palazzo Vecchio, aonde acorreram centenas de cidadãos.