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GRANDE PRÉMIO DE POESIA TEIXEIRA DE PASCOAES APE / C.M. DE AMARANTE 2018

«O assunto da poesia é o poema, defendeu Wallace Stevens, citado em epígrafe por António Carlos Cortez. A Dor Concreta, antologia de década e meia (seguida de inéditos), dedica a essa ideia uma fidelidade ambígua. Por um lado, muitas imagens e referências que surgem nos poemas são de natureza autobiográfica (os anos 80, o eco de certas canções, as idas à praia em família, o tumulto amoroso, a hostilidade das cidades); por outro, encontramos diversas formulações de uma teoria da poesia que recusa a transparência biografista. Para Cortez, a poesia é fábula, alusão: terá havido um acontecimento vivido, um sentimento, uma verdade, mas tudo se perde e se transforma através da linguagem poética. Há um hiato entre o facto e o poema, e esse hiato é o próprio poema. Menos do que poesia sobre a poesia, trata-se de poesia sobre a poetização, que é um esquecimento através do fingimento. Herdeira do neo-classicismo de David Mourão-Ferreira e da austeridade de Gastão Cruz, sem esquecer a lição camoniana, a poesia de António Carlos Cortez é formal, medida, uma poesia do vocábulo, de aliterações, elipses, truques de linguagem que nos ajudam na selva escura.»
— Pedro Mexia

 

António Carlos Cortez

António Carlos Cortez (Lisboa, 1976) é, além de poeta, crítico de poesia (Jornal de LetrasColóquio/Letras e Relâmpago) e ensaísta. É professor de Literatura Portuguesa e de Português no Colégio Moderno, em Lisboa, e investigador do CLEPUL (Centro de Literaturas de Expressão Portuguesa e Lusófona da Universidade de Lisboa). É consultor do Plano Nacional de Leitura e do Clube UNESCO para a Leitura em Portugal. Em 2005 publicou Nos Passos da Poesia – a pedagogia do texto lírico (Apenas editores).
Escreveu oito livros de poesia: Ritos de Passagem (Universitária Editora, 1999), Um Barco no Rio (Hugin, 2002), A Sombra no Limite (Gótica, 2004), À Flor da Pele (Casa do Sul, 2008), Depois de Dezembro (Licorne, 2010), Linha de Fogo (Licorne, 2012), O Nome Negro (Relógio D´Água, 2013) e Animais Feridos (Dom Quixote, 2016). Em 2015 publicou no Brasil a antologia O Tempo Exacto (Poesia 1999/2015), na editora Jaguartirica. A Dor Concreta marca a estreia do autor na Tinta-da-china.