EMBALANDO A MINHA BIBLIOTECA - Tinta da China
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O COMOVENTE OBITUÁRIO DE UMA BIBLIOTECA
Prémio Formentor 2017

A melancólica operação de encaixotar os seus 35 mil livros, que habitavam num antigo presbitério em França, inspira uma das obras mais pessoais de Alberto Manguel.

Em 1931, Walter Benjamin escreveu um ensaio sobre a experiência de desencaixotar a sua biblioteca. Décadas mais tarde, Alberto Manguel glosa a operação inversa. No início do século, aquele que é um dos maiores bibliófilos do mundo instalou a sua imensa biblioteca num antigo presbitério do Vale do Loire, e sentiu que encontrara uma casa para si e para os seus livros. Mas essa morada acabou por não ser permanente, e os milhares de livros de Manguel estão hoje guardados em caixotes, no Canadá.
A partir daqui, está dado o mote para Manguel olhar retrospectivamente para a sua vida dedicada aos livros, e reflectir sobre a natureza da relação entre leitores e os seus livros, e sobre a leitura enquanto memória. Estas divagações vão desde apontamentos sobre as peculiaridades dos amantes de livros até reflexões sobre acontecimentos históricos catastróficos, do incêndio na Biblioteca de Alexandria à pilhagem de bibliotecas pelo Estado Islâmico.

Embalando a Minha Biblioteca constitui, assim, um manifesto sobre o lugar primordial que deve ser ocupado pelos livros, e também sobre a importância das bibliotecas nas sociedades civilizadas e democráticas.

Alberto Manguel

Alberto Manguel nasceu em 1948, em Buenos Aires, e cresceu em Telavive e na Argentina. Tem como línguas maternas o inglês, o espanhol e o alemão (que aprendeu com a ama).
Aos 16 anos, trabalhava na livraria Pygmalion, em Buenos Aires, quando Jorge Luis Borges lhe pediu que lesse para ele em sua casa. Foi leitor de Borges entre 1964 e 1968. Frequentou o Colegio Nacional de Buenos Aires e, em 1968, mudou-se para a Europa. Viveu em Espanha, França, Itália e Inglaterra, ganhando a vida como leitor e tradutor para várias editoras.
Editou cerca de uma dezena de antologias de contos sobre temas tão díspares como o fantástico ou a literatura erótica. É ensaísta, romancista premiado e autor de vários best‑sellers internacionais, como Dicionário de Lugares Imaginários (2013) ou Uma História da Curiosidade (2015), ambos publicados pela Tinta-da-china. É actualmente cidadão canadiano e, desde 2016, director da Biblioteca Nacional da Argentina.