136 autores fictícios, as suas assinaturas fac-similadas e 77 textos inéditos.

«Eu sou uma anthologia.
Screvo tam diversamente
Que, pouca ou muita valia
Dos poemas, ninguem diria
Que o poëta é um sòmente.»
Poema de Fernando Pessoa,
datado de 17 de Dezembro de 1932.

Em Eu Sou Uma Antologia, Jerónimo Pizarro e Patrício Ferrari redescobrem as múltiplas individualidades de Fernando Pessoa.
Cada um dos 136 autores fictícios é apresentado por uma breve introdução, seguida das suas assinaturas fac-similadas e de um ou mais dos seus textos – de entre os quais se destacam 77 inéditos.

«A investigação que tornou possível este livro foi simultaneamente complexa e fascinante. Complexa, porque percorremos as 30 mil folhas do espólio pessoano, à procura do que poderíamos denominar vestígios ficcionais, isto é, nomes inventados ou nomes reais ficcionados. Fascinante, porque no caso de muitas figuras não tínhamos uma visão de conjunto – são bem conhecidas as obras de António Mora e de Jean Seul de Méluret, por exemplo, mas não as do Dr. Pancracio ou as de Charles Robert Anon. Isto levou-nos a reler textos editados e a ler textos inéditos, a atingir uma percepção mais nítida de figuras acerca das quais tínhamos ideias muito vagas, e a compreender melhor o desenvolvimento e a dinâmica do heteronimismo pessoano.»

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa (1888-1935) é hoje o principal elo literário de Portugal com o mundo. A sua obra em verso e em prosa é a mais plural que se possa imaginar, pois tem múltiplas facetas, materializa inúmeros interesses e representa um autêntico património colectivo: do autor, das diversas figuras autorais inventadas por ele e dos leitores.
Algumas dessas personagens, Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, Pessoa denominou «heterónimos», reservando a designação de «ortónimo» para si próprio. Director e colaborador de várias revistas literárias, autor do Livro do Desassossego e, no dia-a-dia, «correspondente estrangeiro em casas comerciais», Pessoa deixou uma obra universal em três línguas que continua sendo editada e estudada desde que escreveu, antes de morrer, em Lisboa, «I know not what tomorrow will bring» [«Não sei o que o amanhã trará»].