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A PRIMEIRA EDIÇÃO DE FAUSTO EM 30 ANOS

«Em parte alguma como no Fausto, no meio das suas frases truncadas, dos poemas subitamente interrompidos, tocamos com o dedo a essência titanesca e condenada da empresa de Pessoa. […] O que nas outras obras foi impotência genialmente transfigurada, no Fausto permaneceu glosa da impotência pura, atravessada por fulgurações da luz mais sombria de toda a poesia universal.»
— Eduardo Lourenço, Pessoa Revisitado

Fausto é um ser humano lendário que busca um conhecimento quiçá impossível. Já o Fausto pessoano — uma parte crucial da criação teatral do autor — pode ser entendido de maneiras diversas: drama inacabado em cinco actos, ou obra inacabável e não-linear?
Esta nova edição, a primeira com aparato crítico, liberta o Fausto da pretensão de uma unidade não atingida, e a obra ressurge enquanto «novo» livro de poemas sobre a busca incessante do conhecimento e seus abismos.

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa (1888-1935) é hoje o principal elo literário de Portugal com o mundo. A sua obra em verso e em prosa é a mais plural que se possa imaginar, pois tem múltiplas facetas, materializa inúmeros interesses e representa um autêntico património colectivo: do autor, das diversas figuras autorais inventadas por ele e dos leitores.
Algumas dessas personagens, Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, Pessoa denominou «heterónimos», reservando a designação de «ortónimo» para si próprio. Director e colaborador de várias revistas literárias, autor do Livro do Desassossego e, no dia-a-dia, «correspondente estrangeiro em casas comerciais», Pessoa deixou uma obra universal em três línguas que continua sendo editada e estudada desde que escreveu, antes de morrer, em Lisboa, «I know not what tomorrow will bring» [«Não sei o que o amanhã trará»].