FURRIEL NÃO É NOME DE PAI - Tinta da China
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AS CRIANÇAS QUE FICARAM EM ÁFRICA: UMA HISTÓRIA DA GUERRA COLONIAL

Chamavam «resto de tuga» a Fernando e ele não percebia porquê, até ao dia em que descobriu que era filho de um português que combatera na Guiné. Procurou o pai pelo nome que achava que ele tinha, o único nome que a sua mãe decorou: furriel. Uma patente militar é pouco, mas Fernando não desiste.
A história de Fernando repete-se com outros nomes: o de Óscar, sovado todos os dias pelo padrasto, por ter nascido com a pele mais clara; o dos gémeos Celestina e Celestino, que guardam, aos 40 anos, a fotografia desbotada de um jovem militar que não quer conhecê-los. Não se sabe o número de casos, porque estas contas nunca se fizeram.

Catarina Gomes partiu para África levando na mala um dos maiores tabus entre os militares portugueses: os filhos da guerra, crianças que ficaram para trás (em Angola, Moçambique e na Guiné-Bissau) quando terminou o conflito e que há anos buscam uma identidade perdida, sem que o próprio Estado português reconheça a dimensão desta realidade. Esta é a primeira vez que se conta a sua história. 

Catarina Gomes

Catarina Gomes nasceu em Lisboa, em 1975. É autora de dois livros sobre a Guerra Colonial. Em Furriel não é Nome de Pai (Tinta‑da‑china, 2018) quebrou um tabu, contando a história dos filhos que os militares tiveram com mulheres africanas e que deixaram para trás. Em Pai, Tiveste Medo? (Matéria‑Prima, 2014) aborda a forma como a experiência do conflito chegou à geração dos portugueses filhos de ex‑combatentes. As duas obras foram incluídas no Plano Nacional de Leitura. Foi co‑argumentista do documentário Natália, a Diva Tragicómica, baseado num artigo que escreveu sobre uma mulher que viveu sob a ilusão de que era uma diva da ópera. Coisas de Loucos é o seu terceiro livro.
Jornalista do Público durante quase 20 anos, as suas reportagens receberam alguns dos prémios mais importantes da área, como o Prémio Gazeta (multimédia). Foi duas vezes finalista do Prémio de Jornalismo Gabriel García Márquez e recebeu o Prémio Internacional de Jornalismo Rei de Espanha. Os seus trabalhos de jornalismo narrativo mais significativos encontram‑se no site Vidas Particulares.