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«Imaginando que podíamos engolir o Atlântico, quem desejaria realmente fazê‑lo desaparecer? Deixemo‑lo separar‑nos, talvez seja assim que mais intensamente nos une. A primeira tendência do cosmopolita é rejeitar as fronteiras. Ler é, por definição, um acto de cosmopolitismo. Eis um dos paradoxos admiráveis da literatura: sou mais eu sendo outro. É nesse espírito paradoxal que inauguramos esta nova etapa da Granta, num equilíbrio poético em que aquilo que nos une por vezes nos separa, e aquilo que nos separa também nos une. A primeira Granta transatlântica é a constatação de uma distância e um desejo de aproximação, em que os textos que lhe dão corpo percorrem os múltiplos matizes do idioma. Vivemos num mundo repleto de fronteiras. Aquelas que vemos e as invisíveis. Umas que queremos transpor, outras que nos preservam e conferem identidade. Na Granta em Língua Portuguesa aproxima‑nos e diferencia‑nos a língua — simultaneamente a mesma e outra, consoante o lugar de origem. Em português nos des/entendemos.»
— Carlos Vaz Marques

Textos: José Eduardo Agualusa, Francisco Bosco, Emma Cline, Julián Fuks, Han Kang, Adriana Lisboa, Patrick Marnham, Peter Pomenrantsev, Valério Romão, Keane Shum, Teresa Veiga
Direcção de imagem: Daniel Blaufuks
Ensaios fotográficos: Marcos Chaves e Rita Lino
Ilustrações: João Fonte Santa
Capa: André Carrilho

Carlos Vaz Marques

Carlos Vaz Marques (1964) é jornalista profissional desde 1987 e integra a redacção da TSF desde 1990, onde já desempenhou diversas funções. Mantém, desde Fevereiro de 2001, o programa de entrevistas Pessoal e… Transmissível. Coordena, desde Outubro de 2008, o programa semanal Governo Sombra, com Pedro Mexia, João Miguel Tavares e Ricardo Araújo Pereira. É autor do programa O Livro do Dia, no ar de segunda a sexta-feira.
Como repórter, foi enviado especial a várias zonas do mundo. Como editor, foi responsável pela manhã informativa e pelo programa Fórum TSF. Além disso, tem colaborado em diversos jornais e revistas. Em 2005, foi premiado pela Casa da Imprensa como autor de rádio. Em 2009, recebeu o Prémio de Jornalismo Científico, com a grande reportagem Dari, primata como nós.
Foi, até 2018, o director da revista literária Granta Portugal, publicada pela Tinta-da-china desde 2013.
Dirige, na Tinta-da-china, a Colecção de Literatura de Viagens. Traduziu Paris, de Julien Green, O Japão É Um Lugar Estranho, de Peter Carey, Dicionário de Lugares Imaginários, de Alberto Manguel e Gianni Guadalupi, Histórias de Londres, de Enric González, Mi Buenos Aires Querido, de Ernesto Schoo, Entrevistas da Paris Review e Os Filósofos e o Amor, de Aude Lancelin e Marie Lemonnier (todos editados pela Tinta-da-china), além de Paisagens depois da Batalha (com Francisco José Viegas), de Juan Goytisolo (Relógio d’Água), Mortal e Rosa e E Como Eram as Ligas de Madame Bovary?, de Francisco Umbral (Campo das Letras).