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«A minha memória da revolução é pueril: um grito ao amanhecer anunciando guerra em Lisboa entrelaçado com a promessa de que acabou o tempo das reguadas e com uma aula de canto coral. A imagem que me ocorre não tem cravos vermelhos no cano das metralhadoras. Não é também a dos sans-cullote a avançarem sobre a Bastilha, nem a do assalto ao Palácio de Inverno, reconstituído por Eisenstein. Essas são revoluções sem nada de pueril. Foram feitas de sangue e fúria. Talvez também de sonhos, mas é frequente os anseios revolucionários envelhecerem mal. Nesta Granta, evocando o centenário da Revolução Russa, revisitamos sonhos e pesadelos, deixando aos historiadores e aos sociólogos a tarefa de interpretarem, com a objectividade possível, as grandes transformações sociais a que damos o nome de revoluções. O que a literatura investiga é de outra natureza: subjectivo, íntimo, ínfimo.»
— Carlos Vaz Marques

Textos de: Mouna Abouissa, Golgona Anghel, Mário de Carvalho, Isabela Figueiredo, Jen George, Milan Kundera, Susana Moreira Marques, Rui Cardoso Martins, Pola Olaixarac, Andrei Platónov, João Tordo
Ensaio fotográfico de Alfredo Cunha
Ilustrações de Cristina Sampaio
Capa de André Carrilho 

Carlos Vaz Marques

Carlos Vaz Marques (1964) é jornalista profissional desde 1987 e integra a redacção da TSF desde 1990, onde já desempenhou diversas funções. Mantém, desde Fevereiro de 2001, o programa de entrevistas Pessoal e… Transmissível. Coordena, desde Outubro de 2008, o programa semanal Governo Sombra, com Pedro Mexia, João Miguel Tavares e Ricardo Araújo Pereira. É autor do programa O Livro do Dia, no ar de segunda a sexta-feira.
Como repórter, foi enviado especial a várias zonas do mundo. Como editor, foi responsável pela manhã informativa e pelo programa Fórum TSF. Além disso, tem colaborado em diversos jornais e revistas. Em 2005, foi premiado pela Casa da Imprensa como autor de rádio. Em 2009, recebeu o Prémio de Jornalismo Científico, com a grande reportagem Dari, primata como nós.
Foi, até 2018, o director da revista literária Granta Portugal, publicada pela Tinta-da-china desde 2013.
Dirige, na Tinta-da-china, a Colecção de Literatura de Viagens. Traduziu Paris, de Julien Green, O Japão É Um Lugar Estranho, de Peter Carey, Dicionário de Lugares Imaginários, de Alberto Manguel e Gianni Guadalupi, Histórias de Londres, de Enric González, Mi Buenos Aires Querido, de Ernesto Schoo, Entrevistas da Paris Review e Os Filósofos e o Amor, de Aude Lancelin e Marie Lemonnier (todos editados pela Tinta-da-china), além de Paisagens depois da Batalha (com Francisco José Viegas), de Juan Goytisolo (Relógio d’Água), Mortal e Rosa e E Como Eram as Ligas de Madame Bovary?, de Francisco Umbral (Campo das Letras).