GRANTA EM LÍNGUA PORTUGUESA 3 - Tinta da China
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«O futuro já não é o que era. As grandes narrativas esgotaram-se, as colecções de ficção científica perderam adeptos em favor das sagas de fantasia, a Previdência (e a Providência) é deficitária, o planeta aqueceu, e o teletransporte, que a série televisiva Espaço 1999 nos prometeu, não chegou a acontecer. Passámos, no espaço de um século, do entusiasmo tecnológico e científico (a antecipação das novelas de Júlio Verne) ao no future que a geração punk anunciou. E agora até esse anúncio nos parece temerário, uma vez que a velocidade do futuro deixou para trás as frases sobre o futuro.»
— Pedro Mexia

«Futuro? Que futuro? Nunca faço planos pro futuro, mas ele faz cada um pra mim… A frase de Millôr Fernandes bem poderia ser a epígrafe desta edição de Granta, que traz diferentes olhares sobre quão indomesticável é o futuro e, ao mesmo tempo, quão indomesticável é nosso desejo de domesticá-lo. Aqui estão textos que falam sobre o futuro pessoal, o futuro existencial, o futuro político, e como todos eles se relacionam. Haja passado para tanto futuro. Diz Philip K. Dick: O futuro é mais coerente do que o presente, mais animado e dotado de um objetivo, e, num sentido real, mais sábio. Tomara que ele esteja certo.»
— Gustavo Pacheco

Textos: Álvaro Domingues, Ana Paula Maia, Antônio Xerxenesky, Joca Reiners Terron, Julia Wähmann, Margarida Vale de Gato, Paulo Tunhas, Ricardo Domeneck, Rogério Casanova, Anita Brookner, Chris Petit, Eugene Lim, Jillian Weise, Philip K. Dick e Rick Moody
Direcção de imagem: Daniel Blaufuks
Ensaios fotográficos: Miguel Soares e Claudia Jaguaribe

Gustavo Pacheco

Gustavo Pacheco nasceu no Rio de Janeiro em 1972. É doutor em Antropologia pelo Museu Nacional / Universidade Federal do Rio de Janeiro. Publicou o seu primeiro livro, Alguns Humanos, em 2018.
Co-dirige a revista literária Granta em Língua Portuguesa, é cronista da revista Época e traduziu livros de Roberto Arlt, Julio Ramón Ribeyro e Patricio Pron. Como diplomata, trabalhou em Buenos Aires, na Cidade do México e em Brasília, onde vive actualmente.

Pedro Mexia

Pedro Mexia nasceu em Lisboa, em 1972. Licenciou-se em Direito pela Universidade Católica. É crítico literário e cronista, consultor do presidente da República para a área cultural, e integra o Governo Sombra. Foi subdirector e director interino da Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema. Dirige a colecção de poesia da Tinta-da-china e co-dirige a revista literária Granta em Língua Portuguesa.

Publicou seis livros de poesia, antologiados em «Menos por Menos» (2011), a que se seguiu Uma Vez Que Tudo se Perdeu (2015) e Poemas Escolhidos (2018). Editou os volumes de diários Fora do Mundo (2004), Prova de Vida (2007), Estado Civil (2009), Lei Seca (2014) e Malparado (2017), e as colectâneas de crónicas Primeira Pessoa (2006), Nada de Melancolia (2008), As Vidas dos Outros (2010), O Mundo dos Vivos (2012), Cinemateca (2013), Biblioteca (2015) e Lá Fora (2018, Grande Prémio de Crónica APE). No Brasil, saíram Queria mais é que chovesse (crónicas, 2015) e Contratempo (poesia, 2016).

Organizou um volume de ensaios de Agustina Bessa-Luís, Contemplação Carinhosa da Angústia; a antologia Verbo: Deus como Interrogação na Poesia Portuguesa [com José Tolentino Mendonça]; e O Homem Fatal, crónicas escolhidas de Nelson Rodrigues. Traduziu Robert Bresson, Tom Stoppard, Hugo Williams, Martin Crimp e David Mamet. Em 2015 e 2016 integrou o júri do Prémio Camões.