HISTÓRIAS ETÍOPES - Tinta da China
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«Sempre acompanhado de um caderno onde se misturam desenhos e anotações, tenho viajado pela chamada ‘Etiópia histórica’. Escrevo e desenho para lembrar o que é desaparecer do meu mundo habitual e continuar ainda assim vivo, podendo ver, ouvir, cheirar e falar. Faço-o para criar um testemunho gráfico do que sinto como viagens de ida e volta a um mundo ao contrário.
Quando viajei pela primeira vez para a Etiópia, em 1999, ressuscitei um prazer que me tinha negado durante anos, desde a traumática perda de um caderno de desenhos em Tavira: o de desenhar despreocupada mas obsessivamente quando viajo. Desde então, tenho uma consciência mais aguda do que implica fixar, em caderno, clichês memoriais: enquanto viajo, o desenho não passa de um subproduto irrelevante da minha actividade de desenhador e fixador de visões, mas quando regresso a casa o desenho torna-se um precioso catalisador da memória e do imaginário.»
— Manuel João Ramos, Introdução

Manuel João Ramos

Manuel João Ramos nasceu em 1960. É professor de antropologia do ISCTE – IUL e investigador em estudos etíopes no Centro de Estudos Africanos – ISCTE – IUL. Desenvolve igualmente actividade como ilustrador e ensaísta. Publicou recentemente Traços de Viagem: Experiências Remotas, Locais Invulgares (Bertrand, 2009), Memórias dos Pescadores de Sesimbra (Sociedade de Geografia de Lisboa, 2009) e, em co-organização, História da Etiópia do Padre Pedro Páez (Assírio & Alvim, 2008) e The Walker and the City (ACA-M, 2010).