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A JUSTA ANTOLOGIA DE UM POETA INJUSTAMENTE ESQUECIDO

«O ‘maravilhamento’ é a sensação fundamental em Alberto de Lacerda. Poeta de epifanias, de deslumbres, procurou momentos privilegiados de intensidade, concisão, musicalidade, transparência enigmática, momentos biograficamente situados, mas pouco confessionais. Português de Moçambique, nostálgico mas consciente das iniquidades coloniais, a sua verdadeira casa foi Londres, embora também tenha escrito com entusiasmo acerca da experiência americana. Delicada e cerimoniosa, desgostosa e amarga, ardorosa e pagã, esta é uma poesia de labaredas: encontros, cumplicidades, exílios, amores, desencontros, impossibilidades. Iluminada pela harmonia de Mozart e pela modernidade de Picasso, bem como pelas tradições poéticas luso-brasileira e anglo-americana, a obra de Lacerda nunca alcançou um reconhecimento alargado, apesar de várias tentativas editoriais, algumas da responsabilidade do poeta Luís Amorim de Sousa. É este seu amigo e herdeiro literário que em Labareda nos propõe uma substancial antologia, seguida de inéditos. Um Alberto de Lacerda ‘em traje de luces’.»
— Pedro Mexia

Alberto de Lacerda

Alberto de Lacerda nasceu em 1928, na Ilha de Moçambique. Frequentou o liceu de Lourenço Marques. Em 1946, parte para Lisboa, onde prossegue os estudos. Instala-se em Londres em 1951. Trabalha como locutor e redactor do serviço português da BBC, e depois como jornalista freelance, mantendo também colaboração em revistas literárias. Participa no grupo que funda a Távola Redonda, do qual virá a afastar-se. Em 1955, é publicado no Reino Unido o volume bilingue 77 Poems, a que se seguem Palácio (1961) e Exílio (1963). Em 1967, Lacerda muda-se para Austin, Texas, onde dá aulas e organiza um festival de poesia. Em 1969, surgem uns Selected Poems americanos. Em 1972, Lacerda é convidado a leccionar na Universidade de Boston. Em 1981, publica Tauromagia. Em 1984, a Imprensa Nacional / Casa da Moeda reúne uma parte da sua obra poética em Oferenda I (que terá um segundo volume em 1994). Em 1987, vem a lume Elegias de Londres. Meio-Dia (1988) vence o Prémio do Pen Clube. Já Sonetos (1991) nunca terá distribuição comercial. Em 1996, o poeta regressa definitivamente a Inglaterra. Os últimos livros que publica são Átrio (1997) e Horizonte (2001). Morre em 2007, em Londres, onde está sepultado.