MARGEM DE CERTA MANEIRA - Tinta da China
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Um estudo inédito sobre a extrema-esquerda portuguesa de inspiração maoista nos anos que antecederam a revolução de 1974.

No rescaldo da forte contestação ao Estado Novo verificada em 1961-62, vários opositores ao regime criticaram as acções e o rumo tomados pelo Partido Comunista Português, que acusavam de não interpretar aquele período como «pré-insurreccional» e de não agir com o vigor necessário. Articulando essa crítica com a adesão às teses chinesas no decurso do conflito sino-soviético surgiu, pouco depois, a primeira organização portuguesa de matriz maoista, a FAP/CMLP. Nos anos seguintes, assistiu-se a uma explosão de organizações maoistas, que introduziram um novo estilo de oposição, baseado na crítica feroz ao colonialismo e ao capitalismo, numa militância mais exposta e violenta, e na opção pela deserção à guerra.
Este complexo ideológico ancorava-se no meio estudantil, mas conseguiu penetrar em alguns terrenos operários e populares. Várias centenas de activistas, entre os quais se contam figuras com posterior relevo público, iniciaram aí o seu percurso político.
Miguel Cardina conta finalmente a história desta «margem política», preenchendo uma importante lacuna no conhecimento da oposição à ditadura. 

Miguel Cardina

Miguel Cardina é investigador auxiliar do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. É membro da coordenação da linha temática «A Europa e o Sul Global: Patrimónios e Diálogos» e foi presidente do Conselho Científico do CES entre 2017 e 2019. É coordenador do projecto de investigação «CROME – Crossed Memories, Politics of Silence. The Colonial-Liberation Wars in Postcolonial Times» (2017-2023), financiado pelo European Research Council (ERC – Conselho Europeu para a Investigação). É autor ou co-autor de vários livros, capítulos e artigos sobre colonialismo, anticolonialismo e guerra colonial; história das ideologias políticas nas décadas de 1960 e 1970; e dinâmicas entre história e memória.