MEU PIPI - SERMÕES - Tinta da China
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O regresso d´O Meu Pipi: Sermão de Sto. António às Pichas | Sermão da Sexagésima Punheta Que Eu Bati Hoje | Sermão às Putas | Sermão da Pintelheira | Sermão às Gordas | Sermão da Montada

O Meu Pipi – Diário (2003) foi um dos maiores fenómenos mediáticos da literatura portuguesa. Este é o segundo livro do autor. Foi preciso esperar porque o Pipi nunca vem cedo demais.

«E hás-de excisar a pele da pichota», disse o Senhor, falando com Abraão, «e será ela o símbolo do nosso acordo.» «Cortar a pichota? Hum. E se selássemos isto com um aperto de mão, à homem?», terá certamente perguntado Abraão, embora o cronista bíblico o não refira. Deus não transigiu. Quando o Senhor do Universo deseja pichota, obtém pichota. Curioso é que poetas de vário tempo e lugar tenham levado a cabo paneleiríssimas choradeiras pelo destino de Fausto, mas nenhum haja lamentado alguma vez a sorte de Abraão. Aquele fez um pacto com o Diabo e perdeu a alma; este negociou com Deus e viu-se despojado de parte da pichota. O Diabo quer a alma; Deus quer a picha. E depois o outro é que é perverso.
– do Sermão de Sto. António às Pichas

Pipi

Pipi nasceu no século XX, curiosamente em resultado de uma cópula. Talvez tenha começado aí o seu interesse pelo fornício, acentuado por um incidente ocorrido no decurso do supracitado concúbito: precisamente no momento da concepção, sua mãe perguntou a seu pai se ele tinha dado corda ao godemichet. Era um godemichet antigo, constituído por maquinaria complexa que requeria bastante tensão nas engrenagens, e a boa senhora costumava espetá-lo na regueifa quando o nabo do marido laborava no pachocho, ou no pachocho quando o mesmo nabo laborava na regueifa. Seu pai desconcentrou-se e emitiu descarga tão forte que engasgou o falópio.
Pipi aprecia contemplar o belo, buscar o mistério das coisas e escachar bordas à bruta.