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«Todos nós, os portenhos, temos a nossa Buenos Aires própria […]. Ernesto Schoo tem o certificado indiscutível de qualidade, por ser quem foi e porque nunca deixou de amar Buenos Aires até à sua morte […]. Tal como a minha Buenos Aires, a Buenos Aires querida de Ernesto Schoo, por maiores que sejam as vossas expectativas, não desilude.»
— Carlos Quevedo

«Frente ao desafio de escrever sobre a complexa cidade de hoje, e a impossibilidade de abarcar Buenos Aires na sua densa malha urbana, vislumbrei uma única escolha possível: referir-me à “minha” cidade, o espaço delimitado onde decorreu a minha já longa vida. Ao reler-me, no final desta deambulação totalmente subjectiva pelas ruas, pelos lugares e pelos edifícios que me são familiares, deixo o alerta para os limites, talvez estreitos, das minhas andanças portenhas: o bairro Norte, a Recoleta, Palermo, um pouco do centro, um pouco dos bairros de prestígio, como Belgrano ou Flores. Pouco mais: há zonas inteiras da cidade que me são estranhas, e lamento-o. Mas quero ser fiel aos cenários que conheço em vez de fingir uma cidadania ecuménica, essa espécie de condição absoluta de portenho a que aspiram imaginariamente alguns vates antiquados.»
— Ernesto Schoo

Ernesto Schoo

Ernesto Schoo nasceu em Buenos Aires em 1925 e foi jornalista desde 1948, tendo-se especializado em cultura, artes e espectáculos.
Colaborou com os principais jornais e revistas da Argentina — por vezes, dirigindo os suplementos culturais. Em 1988, foi bolseiro da Fundação Guggenheim. Exerceu funções como director artístico do Teatro San Martín, em Buenos Aires (1996-1998), e foi membro da direcção do Fondo Nacional de las Artes (2000-2004). Foi reconhecido como Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras do Ministério da Cultura francês e como Oficial da Ordem de Mérito da República de Itália. Traduziu Henry James e Franz Kafka, entre outros. Escreveu vários romances — Función de gala (1976), El baile de los guerreros (1978), El placer desbocado (1988), Ciudad sin noche (1989) —, um livro de contos, um ensaio e um livro de memórias.
Recebeu vários prémios pelo seu percurso ao serviço da cultura, tendo-se tornado uma das figuras mais destacadas da literatura e da crítica na Argentina. Mi Buenos Aires Querido é o seu primeiro livro traduzido e publicado em Portugal.
Morreu em Buenos Aires, em 2013.