Um autor até agora inédito em português, cujos textos influenciaram todos os grandes humoristas contemporâneos.

«De entre todos os autores humoristas com quem trabalhei ou com quem falei ao longo dos anos, Perelman foi sempre o ícone mais reverenciado, o génio cómico mais amplamente imitado e o mais desanimador para qualquer aspirante a estilista de prosa divertida.»
 Woody Allen

«Charlie Chaplin, Woody Allen e Groucho Marx são bons exemplos de humoristas que se caracterizam por serem “red nose” por fora e “white face” por dentro – palhaços pobres na aparência (ou na pose, ou no tom) e palhaços ricos na substância. S. J. Perelman é um desses humoristas. […]
Qualquer pessoa é capaz de produzir um raciocínio interessante sobre os grandes temas. Mas não há muitos escritores que consigam ser irrepreensivelmente inteligentes, eruditos e divertidos quando falam de folhetos de instruções, jornais de apicultura ou traças. A prosa de Perelman é contida, não exclama, não tem consciência da sua própria graça. No fundo, a prosa de Perelman não ri. E é por isso que faz rir mais.»
— Ricardo Araújo Pereira

S. J. Perelman

Humorista, escritor e argumentista, Sidney Joseph Perelman nasceu em Brooklyn, Nova Iorque, a 1 de Fevereiro de 1904, numa família judia de origem russa, e cresceu na cidade de Providence, Rhode Island. Em 1921, entrou para a Brown University. Foi durante esta época que aperfeiçoou os seus dotes no desenho, ao juntar-se à equipa do jornal humorístico universitário Brown Jug, de que chegou a ser editor. Em 1925, após abandonar a faculdade sem completar qualquer grau académico, Perelman aceitou um emprego como cartoonista na revista Judge.
Em 1929, casou com Lorraine West e, no mesmo ano, publicou o seu primeiro livro, Dawn Ginsbergh’s Revenge. No ano seguinte, conseguiu o primeiro trabalho como colunista, na revista College Humor.
Nas décadas de 1930 e 1940, Perelman trabalhou intermitentemente em Hollywood, colaborando enquanto argumentista com a indústria cinematográfica e, sobretudo, com os Irmãos Marx e a Paramount Pictures. Todavia, Perelman nutria um declarado desprezo pelo estilo de vida hollywoodesco, admitindo que a sua única motivação para este trabalho era o dinheiro. Ainda assim, o seu argumento do filme A Volta ao Mundo em Oitenta Dias, adaptação para o ecrã do romance de Júlio Verne, foi galardoado com um Óscar da Academia. Em 1935, o humorista iniciou uma duradoura colaboração com a New Yorker.
Ignorado pela academia e não raras vezes criticado pelo seu alheamento da realidade política e social, acusado de inferiorizar os seus pares humoristas devido a um espantoso domínio linguístico, Perelman publicou cerca de 20 livros em vida. Foi o primeiro escritor a receber o prémio literário Special Achievement, criado pela National Book Association, efeméride que levou Richard Locke, do New York Times, a descrevê-lo como «o Picasso da prosa americana contemporânea».
Morreu a 17 de Outubro de 1979, em Nova Iorque.