MUNDO: MODO DE USAR - Tinta da China
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«Eles não se limitam a passar pelos sítios assinalados no mapa; eles existem plenamente em cada um deles. É por dobrarem assim o tempo à sua vontade, dando‑se ao luxo da lentidão, que conseguem ver o que outros viajantes ignorariam.
À medida que avançam e param (são múltiplas as avarias do Fiat Topolino), cresce o catálogo de personagens maiores do que a vida com que se cruzam: os músicos ciganos dos Balcãs, um mitómano em Prilep, a dona de um hotel em Istambul, os pedintes iranianos que sabem de cor poemas inteiros de Hafiz, os mecânicos inventivos, os polícias sórdidos, um médico em Kandahar, o dono de um bar em Quetta, vários estrangeiros tomados pela melancolia dos desterrados.
No seu aparente desprendimento, na sua candura, no modo inteligente como restitui a experiência da alteridade sem deixar de ser muitíssimo pessoal, na sua leveza cheia de gravitas, este livro de viagem alcança um feito raro: o de reinventar o género literário em que se inscreve, quase como quem não quer a coisa.»
— JMS, Prefácio

Nicolas Bouvier

Nicolas Bouvier (Genebra, 1929-1998) foi um escritor, viajante, iconógrafo e fotógrafo suíço. O pai, bibliotecário, sempre o encorajou a ler — em criança, já devorava livros de Stevenson, Jules Vernes e Jack London — e a viajar. Chegou a frequentar a Universidade de Genebra, mas deixou os estudos em 1953 para partir com o amigo Thierry Vernet na viagem que deu origem a O Mundo: Modo de Usar, que publicou oito anos depois. As suas viagens mais famosas levaram-no ainda ao Sri Lanka (experiência que inspirou o seu único romance, Le Poisson-Scorpion), ao Japão e às ilhas de Aran, na Irlanda (destinos aos quais dedicou os livros de viagens Chronique japonaise e Journal d’Aran et d’autres lieux). Nicolas Bouvier trabalhou muitos anos como fotógrafo e como investigador de imagem. Foi também fundador, com autores como Max Frisch e Friedrich Dürrenmatt, do Gruppe Olten, uma associação informal de escritores suíços de esquerda.