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Uma investigação sobre a edição do principal programa informativo das três grandes estações de televisão em Portugal: o telejornal das 20 horas. Na hora da verdade — a emissão em directo do telejornal —, a pressão da concorrência é o que mais pesa sobre as decisões.

«Antes de conduzir o leitor nesta viagem fascinante pelos bastidores dos telejornais da RTP1, SIC e TVI, proponho que enfrentemos a velha questão da autonomia jornalística. Seja a dos colectivos redactoriais, seja a do profissional individual. Coloco­‑a em jeito de declaração de interesses: ela constitui a base do olhar que lanço sobre o papel dos editores na construção dos telejornais e, em geral, sobre o jornalismo.
Discordo da dupla visão, muito popular, de que os jornalistas se encontram, pura e simplesmente, ao serviço da ideologia dominante e que, nesse quadro, estão condenados, consciente ou inconscientemente, a manipular os leitores, ouvintes, telespectadores.
Sei que esta posição é polémica. Amigos exigentes criticam­-me por acentuar em demasia o âmbito moral e deontológico do jornalismo. Dizem que pareço não perceber que a sinergia entre uma tecnologia sem qualquer regulação e uma economia que busca apenas o lucro está a minar o jornalismo. E que isso torna o empreendimento moral num voto piedoso ou em coisa pior, para além de não ser boa sociologia. Não julgo que, na emergente esfera pública global, possamos olhar média e moral fora do mesmo quadro de pensamento.»
— Adelino Gomes

Adelino Gomes

Adelino Gomes (1944) exerceu a actividade regular de jornalista na rádio, na televisão e em jornais, entre 1966 e 2008. Fez a cobertura do dia 25 de Abril de 1974 (Rádio Renascença); do 11 de Março e do início da invasão de Timor pela Indonésia (1975, RTP); e de episódios das guerras do Afeganistão e do Golfo (1990/91, 2001 e 2003, Público), entre numerosas outras reportagens. Foi provedor do ouvinte da RDP (Junho de 2008 a Junho de 2010).
É autor e co­-autor de livros, capítulos de livros, artigos e um disco sobre algumas destas temáticas. Embora reformado, considera-se ainda e sempre jornalista.
Doutorado em Sociologia e pós-graduado em Jornalismo pelo ISCTE-IUL, integra a equipa de investigadores do CIES­‑IUL. Neste âmbito, participou no estudo Ser Jornalista em Portugal. Perfis Sociológicos, editado em 2011. A mesma equipa desenvolve investigação sobre As Novas Gerações de Jornalistas. Participa ainda no Projecto Jornalismo e Sociedade, que prepara uma Carta de Princípios para o Jornalismo na era da Internet.