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A LUAR faz parte da mitologia da resistência armada ao regime da ditadura. Parte dessa mitologia tem que ver com a personalidade de Hermínio da Palma Inácio, de quem o Sunday Times dizia ser «o homem mais procurado da Europa». Porém, a LUAR não era do domínio do mito, mas da realidade. Um punhado de homens e mulheres corajosos dedicaram grande parte da sua vida a organizar acções armadas para derrubar a ditadura. Algumas resultaram, outras falharam, mas quase todos os protagonistas deste movimento pagaram o preço da sua coragem com a perda da liberdade, o exílio, a violência policial.

«Poucas pessoas podiam contribuir tanto para a história da LUAR e para a preservação da sua memória como Fernando Pereira Marques. Militante da LUAR, participou na tentativa de tomada da cidade da Covilhã, em Agosto de 1968, chefiada por Hermínio da Palma Inácio, na sequência da qual foi preso pela PIDE. Foi também director do jornal da LUAR, Fronteira. Neste livro ele combina o seu testemunho pessoal e os depoimentos de muitos dos seus companheiros da LUAR com uma abundante documentação e com a sua experiência enquanto historiador.»
— José Pacheco Pereira, prefaciador e responsável pela Colecção Ephemera

Fernando Pereira Marques

Fernando Pereira Marques nasceu em Coruche, em 1948. Foi militante da LUAR e preso pela PIDE em 1968. Foi também director do jornal da LUAR, Fronteira.
É diplomado pela École des Hautes Études em Sciences Sociales de Paris, doutor de Estado em Sociologia pela Universidade de Amiens, professor catedrático convidado na Universidade Lusófona, e investigador integrado no Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa. Entre outros cargos, foi deputado à Assembleia da República, dirigente nacional do Partido Socialista, presidente da Subcomissão Parlamentar de Cultura e membro da delegação portuguesa na União da Europa Ocidental (UEO) e na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa.
É director-adjunto da revista Finisterra e autor de Exército e Sociedade em Portugal (1981), De Que Falamos quando Falamos de Cultura? (1995), e Cultura e Política(s) (2014), entre outros.