ARQUITECTO - Tinta da China
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Uma ficção que trata das consequências involuntárias das nossas acções a partir da história do arquitecto das Torres Gémeas, mais célebre pelas obras que lhe destruíram do que pelas que construiu.

«Se o World Trade Centre viesse a sofrer o destino do complexo Pruitt-Igoe, em Saint Louis, e fosse condenado à morte pela dinamite, muitos de nós estariam aqui para aplaudir.»
Ainda durante a construção das Torres Gémeas de Manhattan, inauguradas em 1973, o jornal New York Times publicava estas palavras de violenta crítica ao trabalho de Minoru Yamasaki e à sua geração de arquitectos e urbanistas.
O Arquitecto conta-nos a história de um homem e de duas das suas obras: uma minicidade ideal que acabou implodida. O World Trade Center foi o auge de uma carreira: os dois prédios mais altos do mundo na cidade capital do planeta. Minoru Yamasaki foi o autor de ambos. Hoje é um desconhecido. Os seus admiradores chamaram-lhe o arquitecto do futuro. Os seus detractores consideravam-no o derradeiro símbolo da megalomania. Nem uns nem outros seriam capazes de prever o futuro. Tão-pouco Minoru Yamasaki, um artista amaldiçoado pela história, mais célebre pelas obras que lhe destruíram do que pelas que construiu.

Peça de teatro em dois actos, O Arquitecto parte de personagens e acontecimentos reais, transformando-os numa obra de ficção original e inesperada sobre o fracasso, o sucesso e as consequências involuntárias da acção humana.
No final, inclui-se um breve ensaio sobre a vida e o trabalho de Minoru Yamasaki, bem como sobre os percursos, as circunstâncias e as coincidências que estiveram na origem da escrita desta peça original.

«Exemplarmente investigado e redigido no estilo habitual: fluente, inventivo, sedutor, impecável no domínio da língua portuguesa, a espaços brilhante.»
— José Mário Silva, Diário de Notícias

Rui Tavares

Rui Tavares (Lisboa, 1972) é escritor e historiador, com estudos em História da Arte pela Universidade Nova de Lisboa, em Ciências Sociais pela Universidade de Lisboa e em História e Civilizações pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, onde defendeu a sua tese de doutoramento sobre a censura portuguesa no século XVIII, «Le Censeur Éclairé», que constitui a base de O Censor Iluminado. Investigador associado do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, é actualmente policy leader fellow no Instituto Universitário Europeu de Florença. É cronista no jornal Público e comentador da RTP. Foi eurodeputado (2009-2104) e é um dos fundadores do partido LIVRE.
Com a Tinta-da-china publicou O Pequeno Livro do Grande Terramoto (prémio RTP/Público Melhor Ensaio 2005), traduzido em russo e que será em breve publicado em Itália; Pobre e Mal Agradecido (crónicas, 2006); O Arquitecto (teatro, 2007), também publicado no Brasil; O Regicídio (ensaio, 2008; com Maria Alice Samara), O Fiasco do Milénio (crónicas, 2009); A Ironia do Projeto Europeu (ensaio, 2012); Esquerda e Direita: Guia histórico para o século XXI (ensaio; 2015); O Censor Iluminado (ensaio; 2018). É coordenador da colecção Portugal, uma Retrospectiva, publicada na Tinta-da-china durante o ano de 2019.
As suas traduções de Cândido, ou o Optimismo, de Voltaire, e de Tratado da Magia, de Giordano Bruno, estão também publicadas na Tinta-da-china.