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Uma descrição, com alegado hiper-realismo experiente, da vida das prostitutas lisboetas e seus clientes, à qual se segue o Boletim Policial das Meretrizes e Casas Toleradas da Cidade de Lisboa.

Da degeneração das criaditas subjugadas ao vício do amor às costureirinhas ambiciosas, das hospedarias imundas aos bordéis e casas chics, aqui se tecem considerações morais sobre uma cidade de onde há até testemunho, em 1912, de cinema pornográfico com sexo ao vivo.

«Ao começar este pequeno livro, tive apenas em mira esboçar, o mais ao de leve possível, o que era o vício em Lisboa; e, com alguns exemplos por mim vistos no decorrer de doze anos de vida boémia, mostrar não só os podres desse mesmo vício, como os resultados funestos a que muitas vezes leva quem nele se internar. Aos novos de ambos os sexos que me lerem, poderão alguns dos capítulos que aí ficam servir de guarda a quedas que mais tarde deplorariam, mas já sem remédio; aos velhos, servir-lhes-ão para recordar… tempos que já não voltam! [O vício] afinal é todo igual, começa como acaba, quer seja no clássico bordel ou na alcova forrada a peludos tapetes, onde as pulgas, aos milhares, se aninham viciosas, a exemplo das suas donas … ou alugadoras.»

Fernando Schwalbach

Fernando Schwalbach, de cuja biografia se conhecem escassos elementos, ficou ligado ao mundo do teatro no início do século XX, até meados da década de dez. Publicou mais de duas dezenas de obras, na sua maior parte monólogos, com títulos sugestivos e ao gosto da época: Amor de MãeNa MorgueO Padre NossoA AbandonadaUm IdealO BeijoDoidaOs BurrosNo HospitalDa Miséria à Loucura
Para além da colaboração no Almanaque Teatral, que João Carneiro, da Livraria Portuguesa, publicou em Lisboa entre 1913 e 1919, ainda deu à estampa dois livros de cariz diferente – Lisboa a Nu. Vidas, Tipos e Costumes (1912) e O Vício em Lisboa. Antigo e Moderno (1912) -, que pretendem revelar uma Lisboa sombria, nocturna e marginal, desconhecida para quem não frequentasse os bairros mais antigos.