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UM DOS MAIORES CLÁSSICOS DA LITERATURA DO SÉCULO XIX,
TRADUZIDO INTEGRALMENTE PELA PRIMEIRA VEZ A PARTIR DO RUSSO,
POR ANTÓNIO PESCADA.

«Oblomov parece uma caricatura, mas é um ser humano. É uma daquelas personagens cujo nome passa a integrar o léxico de um país, e se tornam símbolo de determinada característica humana. Assim como dizemos de um discurso que é acaciano, ou de uma atitude que é quixotesca, os russos usam a palavra oblomovismo para designar uma certa indolência apática. Não é uma indolência que rejeita a vida, como a de Bartleby, nem uma incapacidade de agir motivada pela ponderação das consequências dos seus actos, como a de Hamlet. É uma indolência pueril, de quem não pode nem quer abandonar a infância para entrar num mundo perigoso, aborrecido, contrário ao seu conceito de vida, e no qual se valoriza uma actividade abominável: o trabalho. Oblomov está assoberbado de inércia como uma criança aborrecida.»
— Ricardo Araújo Pereira

Ivan Gontcharov

Ivan Alexandrovich Gontcharov nasceu a 18 de Junho (6 de Junho no calendário juliano usado à data) de 1812 em Simbirsk (actual Ulianovsk) e morreu a 27 de Setembro (15 de Setembro) de 1891 em São Petersburgo. Filho de uma família de mercadores recém-nobilitados, entrou para a Universidade de Moscovo em 1831, graduando-se em 1834.
Em 1835, torna-se funcionário do Ministério das Finanças e em 1856 entra para os Serviços de Censura. Entre 1852 e 1855, participa numa expedição científica e naval ao Japão como secretário do almirante, e regressa a São Petersburgo por terra, atravessando a Sibéria. Desta viagem resultará o livro A Fragata Pallada (1858).
Historicamente, vive num momento em que a intelectualidade russa começa a usar as suas obras no debate sobre o futuro colectivo do país. Publica os seus primeiros textos literários em 1836 e o seu primeiro romance, Uma História Comum, em 1847. Publicou ainda Oblomov (1859) e O Precipício (1869), para além de artigos de crítica e de memórias para jornais. À época, a crítica literária considerou-o o sucessor de Gogol. Antes de morrer, queimou vários manuscritos inéditos.