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E escrevi versos
Pra que os deuses voltassem

Ricardo Reis esteve latente na alma de Pessoa até 1914, ano em que nasceu e passou a ser o autor de um conjunto de odes que se expandiu até 1935, quando escreveu o poema «Vivem em nós inúmeros». Dentro de Reis viveram, de facto, inúmeros: o neoclássico antagonista do Integralismo Lusitano, o prefaciador de Caeiro, o defensor da obra perfeita de Milton, o ensaísta interessado pela sexualidade, a ciência e a religião, o crítico do «cristismo», o teorizador de um novo ideal pagão, o espectador do mundo como se de um jogo de xadrez se tratasse, o monárquico exilado, o médico semi-helenista, o poeta da fugacidade do tempo e da aceitação calma do destino.
O presente volume reúne pela primeira vez toda a poesia e prosa de Ricardo Reis numa edição com ortografia actualizada. Além de conter vários textos inéditos, reorganiza duas grandes obras ricardianas: as suas Odes e o seu prefácio aos poemas de Alberto Caeiro. Este livro integra uma trilogia que dá a ler, pela primeira vez, as obras completas de Caeiro, Campos e Reis.

Colecção dirigida por Jerónimo Pizarro

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa (1888-1935) é hoje o principal elo literário de Portugal com o mundo. A sua obra em verso e em prosa é a mais plural que se possa imaginar, pois tem múltiplas facetas, materializa inúmeros interesses e representa um autêntico património colectivo: do autor, das diversas figuras autorais inventadas por ele e dos leitores.
Algumas dessas personagens, Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, Pessoa denominou «heterónimos», reservando a designação de «ortónimo» para si próprio. Director e colaborador de várias revistas literárias, autor do Livro do Desassossego e, no dia-a-dia, «correspondente estrangeiro em casas comerciais», Pessoa deixou uma obra universal em três línguas que continua sendo editada e estudada desde que escreveu, antes de morrer, em Lisboa, «I know not what tomorrow will bring» [«Não sei o que o amanhã trará»].