OLEANNA - Tinta da China
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VERSÃO DE PEDRO MEXIA DA EMBLEMÁTICA PEÇA DE DAVID MAMET

Um professor universitário, John, recebe uma aluna, Carol, que quer comunicar-lhe as suas dificuldades de aprendizagem. Ela precisa de atenção, de ajuda, mas percebemos que o professor está mais preocupado com outros assuntos: uma nomeação definitiva ainda não confirmada e uma confortável casa nova que está a comprar. Não tem por isso tempo para ser útil à estudante, e talvez nem tenha vontade. Do primeiro para o segundo encontro, sempre no mesmo gabinete, e ainda mais do segundo para o terceiro, a situação altera-se consideravelmente. Em vez de se entregar a teorias provocatórias e gratuitas sobre a educação, John tem de se defender de um conjunto de queixas que Carol entretanto apresentou. E essas acusações, parcialmente verdadeiras e parcialmente inquisitoriais, reconfiguram os jogos de poder e os jogos de linguagem entre ele e ela.

«Quando declarou que tinha escrito uma ‘tragédia sobre o poder’, Mamet sublinhou, com razão, que a diferença entre o professor e a aluna é tanto de género como de estatuto. E que essa diferença de estatuto também depende da competência linguística. […] John e Carol falam incessantemente, mas não há comunicação entre eles, nem há como tomar partido. Como bem dizia o cartaz da adaptação cinematográfica de Oleanna, ‘seja qual for o lado que escolha, está errado’.»
— Pedro Mexia 

David Mamet

David Mamet nasceu em Chicago, em 1947. Estudou no Goddard College, no Vermont, e no Neighborhood Playhouse School of the Theatre, em Nova Iorque. As suas primeiras peças foram produzidas pela St. Nicholas Theatre Company, em Chicago, da qual foi fundador e director artístico. Em 1978, tornou-se director artístico associado do Goodman Theatre, em Chicago, onde tinha estreado Búfalo Americano (1975), que venceu um Obie Award e fez carreira na Broadway.
Outras das suas obras teatrais mais conhecidas são Duck Variations (1972), Sexual Perversity in Chicago (1974), A Life in the Theatre (1977), Edmond (1982), Glengarry Glen Ross (1983), premiado com o Pulitzer, Speed-the-Plow (1988), Oleanna (1992), The Cryptogram (1994) e The Old Neighborhood (1997).
Cineasta, dirigiu nomeadamente Jogo Fatal (1987), As Coisas Mudam (1988), Brigada de Hoola (1991), Oleanna (1994) e State & Main (2000).
Foi argumentista de O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes (1981), O Veredicto (1982), Os Intocáveis (1987) e Vanya on 42nd Street (1994), entre outros. Publicou também ficção, pequenos ensaios e manifestos sobre política, cinema e teatro.