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«Colocado voluntariamente à margem do mundo editorial, Miguel-Manso é um caso singular na literatura portuguesa contemporânea. […]
Uma escrita atentíssima à pulsação caótica do mundo, pródiga em ‘entusiasmos verbais’, em ‘proezas de linguagem’, e com uma certa queda para as palavras raras.»
— José Mário Silva, Expresso

«Persianas é um jogo de Tetris onde as palavras encaixam em surpresas sintácticas, arcaísmos, gracejos, piruetas, apóstrofes e auto-ironias. Joga-se a questão da casa, da ‘insignificação’ do quotidiano e da domesticidade, do silêncio das coisas: vasos, gira-discos, sofás, cortinados, telefonias, bules, móveis do Ikea, aquários, termostatos, cinzeiros, lâmpadas, cómodas, guarda-fatos, frigoríficos. Essa ausência de enredo identifica o instante com a eternidade; desvenda pormenores esquecidos, enigmas cósmicos, formas efémeras; e convida a uma aceitação quase-adulta, em volta de roseiras e pomares, de gatos, dos amigos e da amada. Joga-se depois com uma ideia de arqueologia humana, de antiguidade do presente, ou de um passado presentificado em clarões, com clamores estivais e odes familiares. E joga-se ainda o diálogo com as artes plásticas, que Manso estudou brevemente, e que vigiou literalmente, trabalhando em museus. Acontece assim o jogo dos encontros: com Júlio Pomar ou João Miguel Fernandes Jorge, com o livro Pictures from Brueghel, de William Carlos Williams, com a Bíblia ou o Tarô. E com o entusiasmo jazzístico de Matisse.»
— Pedro Mexia

Miguel-Manso

Miguel-Manso nasceu em Santarém, em 1979. Viveu em Almeirim e em Lisboa. Hoje mora numa aldeia do concelho da Sertã.
Estreou-se em 2008 com o livro Contra a Manhã Burra (edição do autor) e fez sair no mesmo ano Quando Escreve Descalça-se (edição Trama Livraria); Santo Subito, de 2010 (edição do autor), pertence, como os anteriores, à colecção Os Carimbos de Gent, à qual acrescentou outros dois títulos em 2012: Ensinar o Caminho ao Diabo e Um Lugar a Menos (edições do autor). No mesmo ano publicou Aqui Podia Viver Gente, com ilustrações de Bárbara Assis Pacheco (Primeiro Passo). Em 2013 publicou Tojo: Poemas Escolhidos (Relógio D’Água) e Supremo 16/70 (Artefacto).
Persianas marca a estreia do autor na Tinta-da-china.