O QUE ESTÁ ESCRITO NAS ESTRELAS - Tinta da China
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José Carlos Fernandes, incontornável autor de BD, propõe um «horóscopo de assombroso rigor científico», onde os princípios divinatórios da astrologia adquirem toda uma dimensão subversiva.

«Um exemplo de bom gosto e esmero gráfico […] microcontos irónicos, macabros, nihilistas, melancólicos ou líricos, pequenas prosas cheias de golpes verbais, beleza rude e lições de moral incerta, cujo tom crepuscular se reflecte nas soberbas gravuras de página inteira que as acompanham.»
— José Mário Silva, Expresso

«Porque se submetem os homens mais facilmente ao jugo das estrelas do que ao jugo da razão? Porque não há quem não queira libertar-se do tremendo fardo de ter de fazer escolhas, das mais simples e comezinhas às mais complexas e ponderosas.
Tome-se um singelo exemplo. Como deverá proceder quem se veja confrontado com a alternativa de comprar um colar de pérolas para uma amante ou de investir essa mesma quantia em acções de uma respeitada firma petrolífera? Quem se reja pela razão passará em claro noites intermináveis, sopesando as vantagens e desvantagens de uma e outra opção, consultando os registos históricos das cotações no mercado de crude, extrapolando o crescimento económico das potências asiáticas, ponderando a instabilidade no Médio Oriente, lutando por obter uma equivalência entre dividendos bolsistas e a quantidade de prazer adicional facultada por uma amante satisfeita. Bem vistas as coisas, não irão os eventuais dividendos de uma e outra opção dissipar-se no tormento da escolha? Quantos não sentiram vacilar a sanidade perante a estrénua prova de incessantemente escolher entre múltiplos caminhos? É a esse suplício permanente que este livro, de fácil consulta e profusamente ilustrado, o vai poupar, permitindo decisões lestas e sem remorsos nas mais diversas áreas da vida, amor e negócios.
E por que razão são as previsões aqui contidas mais dignas de crédito do que as prometidas pelos horóscopos que pululam nas páginas da imprensa e pelos consultórios de videntes e médiuns que se fazem anunciar nas caixas de correio? Porque são as únicas que aliam as sabedorias ancestrais aos mais modernos conhecimentos científicos, numa Visão Holístico-Sincrética do Cosmos®.
José Carlos Fernandes concebeu, desenvolveu e patenteou a Grande Perspectiva Futuroscópica Integrada® e a Análise Escatológica de Variáveis Indexadas®, métodos que permitem determinar com incomparável grau de fiabilidade os acontecimentos futuros.
As Edições tinta-da-china e os herdeiros do autor declinam, porém, quaisquer responsabilidades no que toca ao cumprimento ou incumprimento das previsões.»

José Carlos Fernandes

José Carlos Fernandes nasceu em 1964 em Loulé. Não tem qualquer formação artística. Tem, como tantos portugueses, um diploma que atesta que é licenciado em Engenharia (neste caso particular, do ambiente). As primeiras incursões no desenho e na BD, estritamente autodidácticas, datam de fins de 1989, mas só em 1999 se aventurou a dedicar-se a tempo inteiro à vasta e incerta galáxia que as Finanças englobam sob o código 92312: «Outras actividades artísticas & literárias», onde coexistem as palestras sobre dinâmica de grupo realizadas por treinadores de futebol para quadros de empresas e os livros que desvendam a intimidade dos dirigentes desportivos e fazem revelações sensacionais sobre a corrupção no futebol. JCF tem feito coisas bem diversas classificáveis ao abrigo do código 92312, mas nenhuma das duas atrás mencionadas.
Não se tem inspirado na sua vida pessoal nem em «casos reais» e, exceptuando algumas pilhagens a Ray Bradbury e Gabriel García Márquez, no início de carreira, e duas colaborações com João Miguel Lameiras e João Ramalho Santos, os argumentos das suas BDs são apenas atribuíveis às suas tortuosas circunvoluções encefálicas e a um regime de leituras desregrado e bulímico.
A série A Pior Banda do Mundo (que conta com 6 volumes) é o mais conhecido dos seus trabalhos e está traduzida em espanhol, polaco e basco. Há quem gostasse de vê-la também traduzida em português, pois repetem-se as queixas de que é incompreensível e esdrúxula e recorre a vocabulário arcaico, sintaxe arrevesada e tom gongórico.
JCF tem vindo a escrever argumentos para outros desenhadores, como Luís Henriques, Miguel Rocha, Roberto Gomes, Susa Monteiro, Manuel García Iglesias, com os quais tem vindo a desenvolver as séries Black Box StoriesTerra Incognita e O que está escrito nas estrelas. A sua obra tem sido objecto de várias exposições individuais e colectivas, quer em Portugal quer no estrangeiro (França, Espanha, Polónia, Roménia, Brasil, Uruguai).
JCF obteve por três vezes o Prémio Rafael Bordalo Pinheiro, atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa (1991, 1993 e 1995), e recebeu o 1.º Prémio nos concursos de BD de Matosinhos e de Ourense (ambos em 1995). No ano 2000, recebeu uma Bolsa de Criação Literária do Ministério da Cultura (IPLB), referente ao projecto O Museu Nacional do Acessório e do Irrelevante. Com A última obra-prima de Aaron Slobodj, JCF recebeu o prémio de melhor argumento e prémio juventude FIBDA 2005. Com a obra José Carlos Fernandes: antologia 1992-2005 recebeu o Troféu Centralcomics 2006 para melhor álbum nacional. Black Box Stories vol. 1 foi galardoado com os prémios FIBDA 2007 para melhor álbum nacional, melhor argumento nacional, melhor desenho nacional e prémio juventude.