RTP 60 Anos no Porto - Tinta da China

Vinte de outubro de 1959, Monte da Virgem, Vila Nova de Gaia. Com alguma pompa, inauguram-se as
novas instalações e o novo Centro de Produção da RTP. «Autoridades políticas, militares e religiosas»,
como então era da praxe, ali estavam a testemunhar um passo de inegável importância para a expansão
e a diversificação da televisão em Portugal. E certamente um significativo número de quadros
superiores da RTP, a começar pelo presidente do Conselho de Administração, Camilo de Mendonça.

Nada como ver e dar a ver o potencial ali instalado, através da entrada em direto na rede nacional de
emissão da empresa. Quando a emissão é passada de Lisboa para o Porto, a imagem gravada que surge
nos ecrãs é a de um plano picado da Torre dos Clérigos, feita a partir de uma avioneta, captada por uma
câmara operada por Adriano Nazareth, e de um carro antigo e aberto, com os músicos de Pedro Osório
a atravessarem a Ponte Luís I. Surge então, no cenário da autoria de Albino Baganha, a saudação da
apresentadora em estúdio, nada menos do que a locutora (e «menina da rádio») Maria Eugénia, que
trabalhava então na Rádio Renascença. A rápida sessão que se segue inclui no seu alinhamento o
discurso do governador civil do Porto, Elíseo Pimenta, que considera a inauguração «um acontecimento
do maior interesse para o progresso do Porto e da sua região, pelas possibilidades que lhes dá, no
domínio interno, ou no internacional». O documentário O Sargaceiro da Apúlia, de Álvaro Nazareth, é o
número seguinte, que abre o horizonte da narrativa para lá da cidade do Porto, encerrando a estreia
portuense com a atuação ao vivo da música de Pedro Osório (introduzida por outro nome da rádio,
Fernando Rocha) e com as despedidas da apresentadora. A emissão regressa então aos estúdios do
Lumiar, em Lisboa.