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«’Porque é que os sonhos pequenos se dissipam ao chegar o dia / enquanto os grandes continuam a crescer?’, pergunta Adam Zagajewski. E havemos de ficar com a ideia de que os ‘sonhos pequenos’, mais humanos, são talvez preferíveis aos grandes, tantas vezes atrozes. Poeta polaco, durante muitos anos exilado, tão ‘esmagado pela fatalidade’ e embebido nas convulsões da História como os seus compatriotas Milosz ou Herbert, Zagajewski começou por escrever poesia comprometida, oposicionista, mas foi evoluindo para uma atitude meditativa, irónico-metafísica, atenta a pequenas epifanias e aporias. A memória individual ou colectiva, a natureza e a música, matérias líricas, coexistem com aparições espectrais de personagens da história intelectual (Heraclito, Pascal, Goethe) ou da política europeia (Danton, Napoleão, Beria), gente que interpelou o sentido da História e o sentido das coisas, e que descobriu que as ‘obras do pensamento humano soçobram’.
Poeta lúdico e grave, espiritual e céptico, legível e enigmático, Adam Zagajewski é um ‘místico da imaginação liberal’, como lhe chama, no prefácio a esta edição, o crítico Adam Kirsch.»
— Pedro Mexia

EDIÇÃO BILINGUE

Adam Zagajewski

Adam Zagajewski nasceu em 1945, em Lviv, então território polaco, mas integrado na Ucrânia no ano seguinte. Cresceu em Gliwice, Silésia, e estudou Filosofia e Psicologia em Cracóvia. Membro da «geração de 68», refractária ao regime comunista, viu proibidos alguns dos seus livros.
Após a instauração da Lei Marcial de 1981 exilou-se em Paris, onde colaborou com a imprensa dos círculos da emigração. Em 1988, tornou-se professor na Universidade do Texas, em Houston. Em 2002, regressou a Cracóvia. É actualmente professor visitante na Universidade de Chicago.
A sua obra tem sido objecto de um número invulgar de traduções (das quais se destacam, em qualidade e repercussão, as inglesas), tanto a poesia como os volumes de ensaios e memórias. Para polaco, traduziu livros de Mircea Eliade e Raymond Aron. Foram-lhe atribuídas diversas distinções, entre as quais o Prémio Literário Internacional Neustadt, o Griffin Poetry Prize, o Prémioola.