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Um livro de viagens que alia descrições líricas da Austrália — flora, fauna e geologia — à revisitação da história e da brutalidade com que foram tratados os povos aborígenes.
Terra Nullius, que significa «terra de ninguém», designa ironicamente a terra expropriada a esta cultura quase extinta.

«A cultura de segregação permaneceu durante boa parte do século xx, e viajar pelo território australiano ao lado de Sven Lindqvist é procurar os vestígios dessa ausência, ainda traumática. A complexidade da questão adensa-se quando nos perguntamos se poderemos julgar o passado a partir do quadro mental que é hoje o nosso. Sem subirmos a um promontório não nos é dado ver o horizonte, como reconhece o próprio Lindqvist: ‘É a planura que nos faz crer que a Austrália é feia e vazia. A planura mantém-nos reféns entre os arbustos. Mas logo que a estrada se eleva um pouco e permite uma visão sobre o canto do matagal, abrem-se paisagens fantásticas.’
Nessa elevação que nos permite ver mais longe estamos simultaneamente aos ombros de gigantes e sobre um terreno fertilizado por cadáveres. O passado não é um lugar tranquilo.»
— Carlos Vaz Marques

Sven Lindqvist

Sven Lindqvist nasceu em 1932, em Estocolmo, onde vive. Viajou extensamente por África, pela Ásia e pela América Latina, continentes sobre os quais escreveu ensaios, reportagens e romances, quase sempre com um enfoque nos temas do racismo, do colonialismo e da guerra.
Dos seus mais de 30 livros, destacam‑se Exterminem Todas as Bestas (Caminho, 2005), A History of Bombing e Desert Divers, que foi um dos finalistas do Prémio de Literatura de Viagens Thomas Cook.