20%

A obra mais rara e cobiçada de Guerra Junqueiro, que dedica um poema ao descomunal membro viril de Pedro Soriano, um dos mais famosos patifes lisboetas do final do século XIX.

Pedro Soriano, um dos mais famosos patifes dos muitos que povoavam Lisboa no final do século XIX, ficou na história pelo seu atributo singular – um descomunal membro viril -, cantado por Guerra Junqueiro. Inicialmente, o poeta mostrou-se incrédulo, mas, tirando as dúvidas pela observação directa, pasmou e terá exclamado que semelhante instrumento merecia ser cantado num poema. Nasceu assim A Torre de Babel ou a Porra do Soriano, que alcançou de imediato um sucesso estrondoso.
Note-se que Junqueiro nunca permitiu que o poema, fruto de um repentismo ditado por abundantes libações, fosse publicado, mas os amigos que o ouviram fixaram-no e depois surgiram várias edições clandestinas, passando a ser a obra mais rara e cobiçada de Guerra Junqueiro. Ao poema segue-se o texto O Casamento Simulado, de autoria anónima.

Guerra Junqueiro

Abílio Guerra Junqueiro nasceu em Freixo de Espada à Cinta, em 1850, formando-se em Direito na Universidade de Coimbra.
Foi funcionário público e deputado, aderindo em 1891, com o Ultimatum inglês, aos ideais republicanos. Influenciado por Baudelaire, Proudhon, Victor Hugo e Michelet, iniciou uma intensa escrita poética com o fim último de, pela crítica, renovar a sociedade portuguesa. Retirou-se para uma quinta no Douro, regressando à política com a implantação da República, tendo sido nomeado ministro de Portugal em Berna.
Escreveu, entre outras obras, A Morte de D. João (1874), A Musa em Férias (1879), A Velhice do Padre Eterno (1885), Finis Patriae (1890), Os Simples (1892) e Poesias Dispersas (1920). Em colaboração com Guilherme de Azevedo, escreveu Viagem à Roda da Parvónia.
Guerra Junqueiro foi o poeta mais popular da sua época, integrando, com Eça de Queirós, Antero de Quental e Oliveira Martins, a «Geração de 70». Poeta panfletário, a sua produção literária contribuiu para o ambiente revolucionário que conduziu à implantação da República. Morreu em Lisboa, em 1923.