Escrito por um dos grandes sábios do Renascimento, o Tratado procura sistematizar os princípios universais para a prática da magia e, simultaneamente, compreender a relação entre o indivíduo e o universo.

Giordano Bruno é uma admirável figura da cultura europeia e um dos mais singulares pensadores do século XVI, tendo desempenhado um papel tão importante como Erasmo ou Leonardo da Vinci. Filósofo, mago e cientista, herético de todas as igrejas e desencaixado de todos os rebanhos, pagou pelas suas ideias com a vida, consumida na fogueira inquisitorial de Roma, no ano de 1600.
Tratado da Magia, em edição bilingue e até agora inédito em Portugal, é a sua derradeira tentativa para sistematizar os princípios da magia e, através deles, perceber a relação entre o indivíduo e o universo.
Nas palavras do autor, «a magia assemelha-se à geometria pelas figuras e pelos símbolos; à música pelo encantamento; à aritmética pelos números e cálculos; à astronomia pelos períodos e movimentos; à óptica pelos fascínios do olhar; e, universalmente, a todas as espécies de matemática pelo que tem de intermediária entre a operação divina e a natural».

Nas palavras de Rui Tavares, «o mestre fala agora de música, de geometria, de matemática, de medicina, de retórica e até de estética. Distingue as funções da imaginação e do intelecto, da voz e do canto, dos sentidos e da fé. Sobre tudo isto vai discorrendo de memória, por vezes sistematizando o seu conhecimento, outras vezes experimentando novos caminhos e tentando novas especulações, interrogando-se até sobre experiências a conduzir no futuro».

Giordano Bruno

Giordano Bruno nasceu em Nola, Itália, no ano de 1548.
Num percurso de vida singular, estudou com a Ordem Dominicana e, em 1572, tornou-se padre. Entre as personalidades que mais o influenciaram encontram-se Copérnico, São Tomás de Aquino e Averróis. Para fugir à Inquisição, viajou para Genebra, onde, por um curto período, se juntou aos Calvinistas. Mais tarde, desapontado com este culto, viajou para França. Em Paris, no ano de 1582, publicou algumas das suas obras mais importantes: De umbris idearumArs Memoriae e Cantus Circaeus.
Em 1583 viajou para Inglaterra, onde também publicou obras fundamentais: De la Causa, Principio et UnoDe l´Infinito Universo et Mondi e De gl´Heroici Furori. Regressou a França e, em 1586, viajou para a Alemanha, onde fez parte do luteranismo e onde leccionou sobre Aristóteles durante dois anos, na Universidade de Wittenberg. Regressa a Itália em 1591.
Na «Introdução» ao De Magia escreve Rui Tavares: «Giordano Bruno é uma admirável figura da cultura europeia e um dos mais singulares pensadores do século XVI. Filósofo, mago e cientista, herético de todas as igrejas e desencaixado de todos os rebanhos, pagou pelas suas ideias com a vida, consumida na fogueira inquisitorial de Roma, no ano de 1600.»