10%

«Trata-se de poesia ‘confessional’, assente não na palavra mas no gesto, no pensamento, na observação e explicação. Não que seja experimental – é antes radical no modo como apresenta o ser.»
— John Kinsella, Guardian

«Hugo Williams é filho de Hugh Williams e de Margaret Vyner, actores de cinema e teatro com certa nomeada na sua época. Talvez por isso, a poética de Williams é também uma espécie de performance. O material de trabalho é a autobiografia, as micro narrativas infantis, académicas, edipianas, classistas, sexuais. O tom é lacónico, ambíguo. E a linguagem procura uma clareza e concretude que quase nos fazem esquecer o jogo e o artifício. Williams começou por escrever poemas brevíssimos inspirados pelo imagismo e minimalismo de Ian Hamilton, depois entusiasmou-se com a estética boémia de Thom Gunn, e em seguida praticou um confessionalismo que deve o seu quê a Robert Lowell. Os poemas desta antologia, publicados nas últimas seis décadas, descrevem um passado que assombra o presente, de tal modo que um simples objecto quotidiano confunde os tempos, as memórias e as emoções. Igualmente irónicas e decepcionadas, estas elegias intimistas acompanham a construção de uma identidade que se fez e faz ainda de imitações e evocações, ou seja, de representações. De um ‘eu’ como entretenimento sofrido.»
— Pedro Mexia

Hugo Williams

Hugo Williams nasceu em Windsor, Inglaterra, em 1942. Estudou em Eton.
Trabalhou na London Magazine e esteve associado às revistas de poesia The Review e The New Review, dirigidas por Ian Hamilton. Colaborou em publicações como The SpectatorNew StatesmanHarper’s & Queen e Punch. Assinou durante anos a coluna Freelance no Times Literary Supplement. Publicou dois livros de viagens, All the Time in the World (1966) e No Particular Place to Go (1981), e uma compilação de artigos, Freelancing (1995).
Estreou-se como poeta com Symptoms of Loss, em 1965. Reuniu as primeiras oito colectâneas no volume Collected Poems (2002), a que se seguiram Dear Room (2006), West End Final (2009) e I Knew the Bride (2014). Ganhou vários prémios de poesia, entre os quais o T.S. Eliot Prize.
Última Semana é o seu primeiro livro traduzido em Portugal.