VAI, BRASIL - Tinta da China

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«Tece-se aqui uma trama onde se constata que o presente e o passado estão presentes no futuro, assim como o futuro está contido no passado — e se pergunta se esses tempos conseguirão em alguma medida liberar-se uns dos outros, o passado deixando de condenar o futuro a uma eterna repetição, o futuro escolhendo de qual dos seus passados servir-se para reinventar-se. Essa é a pergunta presente que o Brasil se faz. ALC a recoloca, aqui, com a devida complexidade.»
— Francisco Bosco

«Português a falar brasileiro não tem jeito, mesmo quando tem. Mas o que não tem jeito mesmo é perder tempo a não ser entendido. Não vou subir a favela e dizer sítio quando posso dizer lugar, ou apelido quando posso dizer sobrenome, ou alcunha quando posso dizer apelido, ou apanhar o autocarro quando posso pegar o ônibus. Português a falar brasileiro nem é jeito de dizer, porque português e brasileiro falam sempre português, em toda a sua mestiça extensão. Nenhuma outra língua é tão falada no hemisfério sul. Finco os pés onde estou para a usar. Se não me esqueço de quem sou, porque terei medo do que serei? Muito do que hoje é brasileiro foi português antigo que Portugal perdeu, cardápio reduzido, falta de apetite. E eles continuam a vir, dietistas, higienistas, fiscais de contas, reduzindo a língua a um quartinho, e de colarinho: não respire, não respire. Ave a poesia, cheia de fome, Herberto Helder mais jovem que nunca, comendo a língua com travesti brasileiro e tudo.»
— Alexandra Lucas Coelho

Alexandra Lucas Coelho

Alexandra Lucas Coelho nasceu em Dezembro de 1967, em Lisboa. Estudou teatro, e comunicação na Universidade Nova.
Tem carteira de jornalista desde Janeiro de 1987. Trabalhou dez anos na rádio, como repórter e editora, e entre 1998 e 2012 no jornal Público, tendo coberto várias zonas de conflito, sobretudo no Médio Oriente e Ásia Central, incluindo uma temporada baseada em Jerusalém. Em 2010 fez uma viagem pelo México e mudou-se como correspondente para o Rio de Janeiro, onde morou até 2014. Foram-lhe atribuídos vários prémios de jornalismo.
Publicou cinco livros de reportagem-crónica-viagem: Oriente Próximo (2007), Caderno Afegão (2009), Viva México (2010), Tahrir (2011) e Vai, Brasil (2013). Em 2012 lançou o seu primeiro romance, E a Noite Roda, vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela APE 2012, e em 2014 o segundo, O Meu Amante de Domingo, que saiu em francês, pelas Éditions du Seuil. Deus-dará é o seu mais recente romance.
Vários dos seus livros estão publicados no Brasil.