VAI, CARLOS! - Tinta da China
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«Vai, Carlos! ser gauche na vida»: com este imperativo, atribuído a um «anjo torto/desses que vivem na sombra» na primeira estrofe do primeiro poema do primeiro livro de Carlos Drummond de Andrade, insinua‑se na sua obra a figura da improbabilidade da condição de poeta e do lugar para a poesia no mundo moderno. Os quatro primeiros livros que aqui retomamos – Alguma poesia, Brejo das Almas, Sentimento do mundo e José – declinam de vários modos este sentimento de inadequação ou inabilidade, indissociável da condição irónica do poeta, como Drummond parece assinalar num balanço feito nos mesmo anos em que reunia pela primeira vez, no volume Poesias (1942), a sua obra publicada: «meu progresso é lentíssimo, componho muito pouco, não me julgo substancialmente e permanentemente poeta». É a configuração dessa primeira reunião, que fechava o início da sua trajectória, que este livro reproduz: um núcleo orgânico em que se comprova que o «primeiro Drummond» já era, desde sempre, o nome de um rumo determinante da poesia brasileira do século XX.

OS MELHORES DELES TODOS
A literatura brasileira pode dividir-se em duas linhagens de escritores: a dos que se integram no movimento para dar aos brasileiros uma literatura a que possam chamar «nossa», e a dos que aderem ao ideal de uma literatura que faz estrangeiro quem a reconheça como sua. Esta «biblioteca concisa» é uma muitíssimo selecta representação do segundo grupo. Os melhores deles todos, precisamente.
Colecção dirigida por Abel Barros Baptista e Clara Rowland

*Envios a partir de 30 de Novembro.

Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira do Mato Dentro, interior de Minas Gerais, a 31 de Outubro de 1902, nono filho de um fazendeiro. Estudou em colégios internos, sendo expulso de um deles por «insubordinação mental». Na década de 1920, já a viver em Belo Horizonte com a família, licencia‑se em Farmácia, mas nunca exerce, dedicando‑se ao jornalismo e à literatura. Em 1928 publica numa revista «No meio do caminho», um dos poemas mais controversos do modernismo brasileiro, movimento cujas principais figuras entretanto conhecera. Em 1930 sai o seu primeiro livro, Alguma poesia. Em 1934, muda‑se para o Rio de Janeiro, onde trabalhará no gabinete do Ministro da Educação e Saúde Pública e mais tarde na Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, instituição onde se mantém até à reforma. Da sua bibliografia, destacam‑se livros como Sentimento do mundo (1940), A rosa do povo (1945), Claro enigma (1951), Fazendeiro do ar (1954), Lição de coisas (1962) ou As impurezas do branco (1973), além de uma actividade de seis décadas como cronista, nomeadamente no Jornal do Brasil. Morreu no Rio, a 17 de Agosto de 1987, poucos dias depois de perder a filha, Maria Julieta.