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«Este livro reúne um conjunto de textos a que chamámos ‘ensaios humorísticos’, designação que, tendo em conta a relativa má reputação do humor e dos humoristas pode, à primeira vista, constituir um oximoro. E, no entanto, é de ensaios humorísticos que falamos aqui – até porque, além de tudo o mais, Benchley foi uma espécie de enciclopedista do humor. A sua produção é tão vasta e variada que parece não ter sobrado nenhum tema no qual ele não tenha detido um olhar humorístico: quer os temas mais fáceis e acerca dos quais toda a gente tem uma opinião (como a morte, o amor, ou a guerra), quer os temas mais difíceis, e sobre os quais – não por acaso – os filósofos têm tido mais relutância em reflectir (como a febre dos fenos, as enguias ou as casas de banho). O seu amigo James Thurber diria que um dos maiores medos de qualquer humorista era passar três semanas a trabalhar numa ideia e depois descobrir que Benchley já tinha feito o mesmo mas melhor e mais depressa.
Robert Benchley foi um humorista a quem os mestres chamavam mestre. Não é para todos.»
— Ricardo Araújo Pereira

Robert Benchley

Robert Benchley nasceu a 15 de Setembro de 1889, em Worcester, Massachusetts. Licenciou-se na Universidade de Harvard em 1913. Foi aqui, aliás, que iniciou a carreira jornalística – colaborando com as publicações Harvard Advocate e Harvard Lampoon – e foi também aqui que o seu estilo humorístico começou a distinguir-se.
Benchley tornou-se famoso pelas declarações falaciosas e ficcionais acerca da sua própria vida. Sabe-se, no entanto, que se casou em 1914 com Gertrude Darling, sua companheira até ao fim da vida, e que tiveram dois filhos.
Trabalhou como editor, colunista e crítico de teatro e de literatura nas revistas The New YorkerLife (James Thurber afirmou que a Life apenas tinha leitores por causa dos textos de Benchley) e Vanity Fair. A colaboração com a Vanity Fair iniciou-se em 1916, quando Benchley concorreu ao lugar deixado vago por P.G. Wodehouse, e aqui trabalhou com Dorothy Parker e Robert Emmet Sherwood, com os quais desenvolveu grande cumplicidade e formou o Algonquin Round Table (aludindo ao nome do hotel onde se juntavam para lautos almoços).
Escreveu inúmeros contos para publicações de renome e para vários livros, de entre os quais se destacam Of All ThingsMy Ten Years in a Quandary e Benchley Beside Himself. Os ensaios humorísticos e absurdistas de Benchley influenciaram os grandes humoristas contemporâneos. Para além disso, o autor distinguiu-se pela sua participação em curtas-metragens satíricas, como argumentista, realizador e actor. Assinou também diversos contratos com as produtoras MGM e Paramount, tendo interpretado papéis de relevo em filmes como You’ll Never Get Rich e The Sky´s the Limit, protagonizados por Fred Astaire. Devido às constantes solicitações cinematográficas, Benchley abandonou a escrita definitivamente em 1943. A sua definição de humor era lacónica e despojada: «Qualquer coisa que faça as pessoas rirem.»
Robert Benchley morreu a 21 de Novembro de 1945, devido a complicações causadas pelo alcoolismo.